dodouro press


Peso da Régua - Cidade onde a Fé não falta, a Esperança abunda e o trabalho continua mantendo a tradição honrosa que com orgulho a exibe aos vindouros estes seus velhos pergaminhos.

Quem te vier visitar
Enebriado reténs,
E logo te fica a amar,
Santo poder que tu tens!
Desde o dia em que te vi,
O’ bemdita Região,
Enamorei-me de ti,
Vives no meu coração.
 Bandeira de Tóro

Peso da Régua

Princesa do Douro

Capital da Vinha e do Vinho
Tributo de dedicação, penhor de trabalho e mágoa de muitas vezes não conseguir fazer pela Régua o quanto merece quero em memória do passado e testemunho do presente transmitir aos vindouros a chama do bairrismo de forma a que continuemos cada vez mais a ser merecidamente a Princesa do Douro e nessa qualidade a cidade da Régua, símbolo do belo natural, percorra o mundo inserida no escalão agora atribuido de Património Mundial. Para prova do afirmado convidamo-lo a visitar-nos e desafiamo-lo mesmo a fazêlo quanto antes. Jamais se arrependerá.

Sobre o Douro

Galardoada que foi a Região Demarcada do Douro a Património Cultural Mundial da humanidade, não nos parece legítimo que, esquadrinhando as grandes figuras que ajudaram a construir todo este Património continuado de pirâmides em patamares, a sobrelevar as duas margens do Douro, se olvidasse a memória de quem, um século e meio antes, visionou a grandiosidade monumental da sua paisagem, o Barão de Forrester.

A tacanhez bairrista tão típica do nosso temperamento, nunca foi boa conselheira na apreciação das características dos outros. Não é de agora a beleza arquitectónica da arte do socalco que enfeita as margens do Douro, mas que, pelos vistos, alguns só agora descobriram. Aliás, ousamos perguntar: quantos dos portugueses presentemente a conhecem? Pois este rio encantado desde há séculos mereceu a atenção dos ingleses. Entre muitos, a quem a beleza paisagística enlevou o seu espírito, na contemplação dum sol posto a esbater de mansinho as pérolas dos cachos já maduros, merece vir à colação - o Barão de Forrester.

Vindo para Portugal jovem ainda, em 1931, para com um seu tio se dedicar à actividade comercial, não tarda muito tempo que se deixe afeiçoar pelas coisas portuguesas e, especialmente, pela cidade do Porto, local onde criou inúmeras amizades com as pessoas da alta sociedade da capital do Norte. Conhecedor das apetências dos ingleses pelo vinho do Porto, cedo se empenhou activamente na arte de comercializar os vinhos generosos produzidos na Região Demarcada, que, em 1855, mereceram honrosas distinções na Exposição da Sociedade Agrícola do Porto como na de Paris. Dotado de grandes talentos, dedicou-se de alma e coração ao estudo da Região, publicando livros e e folhetos, em Portugal e na Inglaterra sobre o vinho do Porto. A sua paixão leva-o a desenhar e a imprimir o primeiro mapa do Douro. Rodeando-se de uma equipa capaz e conhecedora das características orográficas, climatéricas e topográficas do terreno xistoso que pontuam o rio desde Barqueiras até Barca de Alva, desenvolveu um trabalho cartográfico único - o Mapa do Douro - que ainda hoje é um ponto de referência na demarcação do País Vinhateiro. Era uma autoridade em oídio, e foi graças aos serviços prestado à causa do Vinho do Porto que foi feito barão em 1855. E foi no desejo de ser útil à viticultura duriense e a salvaguarda dos interesses dos produtores que o levou a bater-se pela não utilização das aguardentes nos vinhos secos, hábito que desde há muito se havia introduzido na sua confecção entre os vendedores. O facto gerou mesmo uma grande polémica entre os adeptos dos vinhos secos e originais e os defensores da fortificação com aguardente. Na defesa da primeira tese posicionou-se o barão de Forrester, que lança a polémica em Londres, em 1843. E a polémica instalou-se pela primeira vez entre produtores e os comerciantes.

Curioso como já se perfilavam naqueles tempos rivalidades entre as duas frentes.

Ao se apaixonar pela actividade comercial dos vinhos generosos e tendo eleito o nosso país como sua residência, o barão inglês tornou-se o grande defensor dos grandes interesses ligados à viticultura do Alto Douro; para obviar às difíceis e sinuosas acessibilidades de transporte para o Porto, optou por valorizar a via fluvial como base das suas deslocações; a expensas suas mandou construir um grande barco tipo rabelo, dotando-o com as características dos actuais barcos turísticos que hoje sulcam o Douro, levando-os rio acima a contemplar as maravilhas suspensas nas varandas das suas margens; era o prenúncio, um século antes, da estrada turística que liga o Porto a Barca da Alva. Na sua tripulação contavam-se os barqueiros mais experimentados e sabedores dos rápidos que infestavam o seu percurso. Pois foi, por ironia do destino, numa das suas, em 11/5/1861, quando, o Barão de Forrester, na Quinta do Vesúvio de D. Antónia Adelaide Ferreira, iniciava mais uma viagem à Régua. E descendo rio abaixo, no Cachão da Valeira, deu-se a tragédia: o barco, engolido pelo redemoinho das águas, virou-se com 16 pessoas a bordo. Todos se salvaram, excepto o barão de Forrester.

No Douro, nas águas do rio e nos socalcos das quintas, ainda se ouvem murmúrios da alma do ilustre Barão.

É incompreensível como a Região Demarcada esqueceu um dos homens que mais trabalhou pelo seu engrandecimento, pois nem o gesto de Mário Soares, numa das suas viagens ao Douro em 1988, na qualidade de Presidente da República, redimiu ao descerrar uma placa comemorativa de bronze fixada numa das arribas do Cachão, lançando, de seguida, uma coroa de flores às águas do rio.

Agora que a Região Demarcada meritoriamente foi elevada a Património Mundial pela UNESCO, após estudos aprofundados sobre a caracterização da paisagem cultural e evolutiva viva da região vinhateira modo a delimitar as fronteiras territoriais, não será despropositado apresentar os Circuitos turísticos oferecidos a todos quantos sobem rio acima para se deliciarem com o colorido do universo panorâmico:

CIRCUITO DE MONTANHA /ZONA NOROESTE DO CONCELHO.

Conforme Mapa publicado pelo Posto de Turismo, parte-se daqui em direcção ao Miradouro de Sergude – Godim - . Deste ponto do circuito já pode deslumbrar-se com uma panorâmica em grande plano, da zona urbana da cidade com o rio Douro a seus pés.

Igreja Matriz de Fontelas – Construída em 1671, apresenta uma só nave, com torre e elegante balaustrada, capela-mor com retábulo e tecto em caixotões estilo renascença.

Miradouro de Santo António – Loureiro – Local onde a vista se encanta e a alma o incita a prosseguir, pois tão bela e brilhante é a cidade emoldurada de vinhedos em socalco com o rio Douro impetuoso que é um espelho.

Igreja Matriz de Loureiro – Data do ano de 1702 a sua construção, nela se destacando, o altar-mór pela riquíssima talha que o adorna e o túmulo que contém o corpo incorrupto do asceta “Heitorzinho – o Justo” – que pelas suas virtudes é visitado por gente de todo o País.

Ponte Romana de Cavalar - Mouramorta – Ao chegar a Nostim (VILLA DE NAUSTI – Séc. X), pare o seu veículo e desloque-se a pé pelo caminho sinalizado que o conduzirá à ponte de cariz medieval de Cavalar , sobre o rio Sermanha.

S. Tiago – Sedielos - Na estrada para Aldarete ao encontrar uma placa indicadora do lugar, vire à direita e dirija-se ao largo de S. Tiago, onde existe uma elegante capelinha, do século XX, donde poderá apreciar as fraldas do Marão que de ambos os lados do rio Sermanha, nos desafiam a escalá-las, descobrindo os circuitos e as maravilhas da natureza

Águas Santas – Sedielos – Saia do Largo de S. Tiago que as maravilhas da natureza o esperam. Siga pelo caminho assinalado até à nascente, não explorada das águas santas, que com características de mesas, servem de terapêutica a doenças do aparelho gástrico das gentes da região.

Mesa de Mouros – Sedielos – Se o rio Sermanha não levar muita água, atravessa a margem esquerda, onde poderá encontrar uma mesa dos “Mouros” talhada no granito da montanha.

Aldeia comunitária de Aldarete – Se ama a natureza não hesite em prosseguir pelo caminho assinalado, na margem direita do pequeno rio, em direcção à aldeia comunitária de Aldarete, onde poderá contactar coma humilde população, as típicas habitações e daí mesmo, obter uma magnífica panorâmica sobre as terras desta zona do concelho.

Termas das Caldas do Moledo – Ao regressar de Aldarete, não se esqueça que ainda tem mais uma maravilha da natureza a visitar, ali bem junto ao rio Douro – as Termas. As suas águas termais hiposalinas, sulfurosas e radiocativas, brotam das numerosas nascentes a temperaturas que variam entre os 19º e os 41º C.

CIRCUITO DAS VARANDAS SOBRE O DOURO

Posto de Turismo – Deste mesmo local propomos-lhe uma novo circuito porventura não menos curioso, pela panorâmica mais tipicamente duriense.

Abrigo de Desportos Náuticos – A cerca de 5 Km do limite do concelho, pela estrada nacional 222, poderá encontrar, a montante da Barragem de Bagaúste, o abrigo do Clube de Caça e Pesca do Alto Douro, do qual poderá apreciar as altas potencialidades do Rio Douro para a navegação de recreio, nomeadamente regatas de Vela, Remo e Motonáutica, com o brilho que o ambiente e as potencialidades naturais o proporcionam.

Barragem de Bagaúste – Atravesse a ponte sobre a barragem e na margem direita, pare e aprecie esta monumental obra da nossa engenharia dos anos 70 que transformou a paisagem e o rio que ora permanecia seco no Verão, ora provocava grandes cheias no Inverno. É desta estação hidroeléctrica que é gerida a distribuição de energia para todo o País.

Sítio Arqueológico do Muro – Vilarinho dos Freires – Seguindo pela E. N. 313-2 e depois de passar pelo lugar de S. Xisto, se desejar. Faça uma incursão no mundo da arqueologia, subindo até ao lugar do Muro, onde poderá encontrar vestígios cerâmicos da presença romana.

Património Monumental da freguesia de Galafura – No local onde está sediada a actual povoação poderá contemplar a Igreja Matriz, Campanário e Cruzeiro. E mais à frente, a 5km. a “Fonte dos Mouros”, séc. VII/VIII.

Varanda sobre o Douro – S. Leonardo. É aqui que poderá encontrar a majestosa varanda sobre o Douro a 566m de altitude e donde poderá percepcionar a orografia autêntica do Douro que se caracteriza por um enorme anfiteatro, cujo palco é uma enorme toalha líquida que espelha a riqueza da terra e os tormentos das gentes que nela labutam.

Igreja Matriz de Poiares- Aqui poderá visitar a Igreja com talha dourada, que foi pertença dos Templários e que contém duas cruzes, sendo uma em pau santo revestida de ornatos e outra de lâminas de prata com várias figuras, com mais de um metro de altura, verdadeira preciosidade do século XIII (1225).

“Castellum” da Fonte do Milho – Canelas – É um monumento nacional e um testemunho da presença romana na região.

Por Padre Dr. Jorge Ferreira

Figuras ilustres da cidade e seu concelho:

D. Joaquim Augusto de Barros, Bispo de Cabo Verde ( Ver Dic. I Vol. p 73).

D. Manuel Vieira de Matos, Arcebispo de Braga (Ver Dic. I Vol.p.)

D. Teodoro Monteiro, OSB. Abade do Mosteiro de Singeverga e Director do Colégio de Lamego (Ver Dicionário II Vol.pp.232-233).

D. Antónia Adelaide Ferreira (Ver Dic.I Vol. p. 228). Dr. João de Araújo Correia (Ver Dic. I Vol. p.174-175).

Dr. João de Lemos de Seixas Castelo Branco (Ver Dic. I Vol.p. 301)

Dr. Maximino Lemos (Ver. Dic. I Vol. p.302).

Barão de Forrester

Galardoada que foi a Região Demarcada do Douro a Património Cultural Mundial da humanidade, não nos parece legítimo que, esquadrinhando as grandes figuras que ajudaram a construir todo este Património continuado de pirâmides em patamares, a sobrelevar as duas margens do Douro, se olvidasse a memória de quem, um século e meio antes, visionou a grandiosidade monumental da sua paisagem, o Barão de Forrester.

Rádio Alto Douro

Hoje que tanta audiência se dá às rádios locais pela sua acção meritória na promoção das populações, afastadas dos grandes centros, não podemos deixar de referir o alto papel de relevo da Rádio Alto Douro, sediada na cidade da Régua que, nos meados do século XX, foi a expressão viva das gentes do Alto Douro. Quem daquela região não ouvia, de preferência às outras estações, o programa dos discos pedidos, a informação regional? E as reportagens dos eventos que se iam acontecendoo ouvinte ia sendo informado através daquela estação regional? E quem não reconhecia a voz timbrada inconfundível Carlos Ruela? Infelizmente pouco tempo sobreviveu ao período revolucionário do 25 de Abril! E foi pena.

Meios de comunicação social

Concelho Peso da Régua

PESO DA RÉGUA E SEU CONCELHO

Sempre que falamos do Douro (Região Demarcada e Vinho do Porto), evocamos de imediato a Régua, cidade espraiada no grande vale do rio do Douro que, espreguiçadamente, lhe corre aos pés. Se outros pergaminhos não lhe bastassem, este seria suficiente para a impôr como a Capital do Douro e da Região Demarcada por legislação pombalina. Vejamos como Ramalhão Ortigão a descreveu numa das suas viagens ao Douro pelos finais do século XIX: “Acordado pela mais alegre alvorada que os melros têm jamais assobiado pela fresca ramaria Das veigas, abro a janela. Um deslumbramento! Debaixo da varanda, voltada a Norte, estende-se em doce declive um largo talhão de vinha baixa, cerrada, espessa, em todos os tons de verde, desde o m ais vivo ao mais escuro, rajada das tintas maduras do Outono em manchas cor de âmbar e cor de fogo, loiras, vermelhas, calcinadas. Em baixo o rio Douro, espraiado, descreve um enorme S em toda a extensão do vale, reluzindo entre rasgões de olivedos e de pomares, por trás das ramas viçosas dos choupos e dos amieiros. Uma cortina de montanhas fecha o horizonte de todos os lados. No plano mais alto, em frente, ao fundo, alteia-se a cordilheira do Marão, cujos cabeços calvos, de uma cor térrea banhada em sol, parecem pintar sobre a transparência do céu o dorso imenso de um fantástico boi. Por todas as encostas do primeiro plano descem os vinhedos em largos degraus de verdura, desde o alto dos montes salpicados de pinhais até à beira rio. Em todas as quebradas alvejam casas caiadas de branco, cintilantes ao sol nascente..”

Ainda bem que as preocupações da pseudomodernidade das novas correntes não lhe desfiguraram ainda o rosto da paisagem rural e dos vinhedos. Pena é que, recentemente, as instituições administrativas locais e regionais, preocupadas apenas com o surto do progresso urbanístico da zona ribeirinha, se deixassem enlear pelas vozes dos senhores de comércio fácil com a construção de torres de habitação e hotéis de turismo, autênticos atentados às aguas correntes onde se espelham e à nova marginal que as contorna.

A cidade da Régua administrativamente pertence ao Distrito e diocese de Vila Real; é sede de concelho e comarca e tem como orago S. Faustino, distribuindo-se as suas populações de 17.024 habitantes por doze freguesias: Covelinhas, Fontelas, Galafura, Godim, Loureiro, Moura Morta, Peso da Régua, Poiares, Sedielos, Vilarinho dos Freires, Vinhós e Canelas. Geograficamente estão todas sediadas nas encostas das montanhas transformadas em vinhedos a caminho de Vila Real, formando uma coroa sendo a cidade seu ponto convergente e aonde vão dar todos os caminhos.

Perdem-se na nebulosidade dos tempos as origens da cidade da Régua. O topónimo da Régua, segundo as conjecturas dalguns historiadores e filólogos, teria origem na designação Regula que os funcionários romanos da era da administração imperial teriam dado a esta passagem estratégica do rio: regra teria a significação de manter direito, disposição legal. Direito este herdado de ascendentes ou concedido por foral? Seria esta regra ou este direito dado por D.Teresa a D. Hugo, bispo do Porto, coutando-lhe as terras em volta e consignando-lhe metade dos proventos da passagem das barcas que faziam a travessia entre as duas margens?

Também não é de excluir a hipótese que, situando-se a Régua dentro dos limites do concelho de Godim, conservasse direito próprio, uma regra que veio a designar essa área. Desses tempos imperiais se encontraram vestígios nas encostas de Covelinhas (uma típica villa) e nas proximidades de Lamego(uma estátua feminina) hoje exposta no Museu de Lamego. Na vizinha Quinta do Torrão, há cerca de um século

teria sido encontrado uma espécie de saco de cimento com moedas romanas, de prata e de cobre, de grande valor numismático, com efígies de imperadores. Aliàs, é sabido que, em algumas quintas, nos trabalhos de saibramento para a replantação da vinha por vezes é-se surpreendido com o aparecimento de tijolos ou alicerce de tijolos ou de granito, o que vem confirmar, segundo os historiadores, a presença dos romanos em Cidadelhe, Covelinhas, Poiares e em Lamego.

Associado à Régua, que nasceu paredes meias com o rio, desenvolveu-se anteriormente o Peso, no cimo do monte que a abriga. Peso parece derivar de pensum= penso, o penso dado aos animais, após horas de caminhada de quem vinha de norte para sul, e, mais tarde, o próprio local onde se repousava para dar a refeição aos animais. A atestar a importância desta localidade lê-se no documento de doação de D. Teresa ao bispo D. Hugo, que não se refere à zona ribeirinha, na parte baixa da actual cidade, mas a que a fica no cimo do monte, o actual Peso. É curioso notar como Rui Fernandes, na sua obra sobre Lamego, escrita em 1532, menciona “S. Prisco da Regua”, figurando como freguesia diferente “a camara do Bispo do Porto que se chama o Pesso”(Peso).

Há quem avance que no lugar onde hoje se encontra a Igreja do Cruzeiro, teria existido um pequeno templo, que foi completamente destruído por uma cheia, em 1734.

Temos assim referências históricas a dois lugares distintos e que hoje constituem a cidade do Peso da Régua: o foral manuelino de Penaguião de 1519 citando o lugar da Régua, pertencente à “terra” e julgado de Penaguião, enquanto o lugar do Peso era um pequeno concelho onde os bispos do Porto, por ser sua “camara” exerciam a jurisdição temporal a par da espiritual, nomeando os seus poderes de justiça da vila do Peso, independente da vizinha Régua do concelho de Penaguião.

Não se pode dizer pois que “a Régua é uma terra nova” , como muitos por aí escrevem. Desde os primeiros tempos da monarquia se fazia, entre outros o cultivo da vinha que encontrou nesta região um clima e terreno propícios, como muito bem o refere Rui Fernandes da cidade de Lamego. Ao longo de toda a Idade Média são feitas através das águas do Douro as carregações para o Porto e daqui para a nossa feitoria da Flandres através dos mercadores; mas é, sobretudo a partir da centúria de Quinhentos que o vinho produzido nas quintas vizinhas da urbe lamecense começam a consolidar posições comerciais. São os vinhos produzidos na zona norte do concelho de Lamego mas igualmente numa linha que atravessa de Sul para Norte o coração do Baixo Corgo, passando por Cambres e alargando-se até Lobrigos e Vila Real. É neste contexto geográfico de produção vitivinícola que começa a ganhar foros de importância comercial a pequena aldeia da Régua.

Quando, em 1638, o alemão Cristiano Kopke decide fundar no Porto uma firma dedicada ao negócio da exportação de vinhos, o Douro já vivia uma fase de grande animação. O vinho e a vinha do Douro passam a ter uma grande importância como factor de promoção e expansão social nas terras altaneiras do Douro e se constrói a Região do País Vinhateiro. É ao longo de todo o século XVII e princípios de XVIII, nesses anos de euforia, que nas encostas mais expostas ao sol e vizinhas do Douro e seus afluentes, senhores locais, comerciantes e alguns mosteiros de ordens monásticas dão início à paisagem que hoje sobe em patamares, partindo rio.

Já antes, diz Pina Manique, quando a exportação do vinho “generoso” se fazia pelas águas do Douro, passaram a concentrar-se de todas as direcções os seus produtos no lugar da Régua, que, por via disso, crescia a olhos vistos. Em 1703 pela celebração do Tratado de Methueen as plantações tomam novo incremento, invadindo as encostas até ao Cachão da Valeira, acima do Tua.

A Régua, pela localização, começa a assumir-se como referencial, até que nasce a Companhia de Agricultura das Vinhas do Alto Douro por alvará régio de 1756. É o início dum grande surto comercial, envolvendo proprietários, comerciantes naturais e estrangeiros e o crescimento duma região que tem por capital a cidade da Régua.

Se no Peso se evidencia a acção senhorial pela construção dos seus palacetes, na Régua a acção régia pela construção dos Armazéns da Companhia, que ainda hoje constituem um dos seus ex-libris.

Em virtude das suas leis sobre o regime senhorial, D. Maria I, em 1789, de acordo com o prelado portuense, suprimiu a “câmara” ou couto do Peso e instituiu uma capitania mor extinta pelo liberalismo. A actual denominação Peso da Régua justifica-se assim por ter sido o Peso (concelho dos bispos do Porto) e não a Régua. A separação das freguesias do Peso e da Régua ainda se mantinha nos fins do século XVIII, sendo esta paroquiada por um Arcediago e aquela por um cura. A junção ter-se-à verificado com a construção da nova Matriz, no Peso, em 1760.

Nos fins do século XIX escreve o Abade de Miragaia:” a vila da Régua, a mais linda e de mais vida de Trás-os-Montes, já poderia ser cidade se os seus os seus vereadores não fossem tão indolentes...( Uma boa chamada de atenção!) a formosa vila da Régua, tão vantajosamente situada no centro do coração do Douro, dessa região encantadora, fertilíssima e mimosíssima, que não tem rival entre nós a Régua, muito bem servida por diligências, pela via fluvial e pela linha férrea do Douro, na qual tem a estação mais movimentada que há no Norte de Portugal do país depois do Porto – a Régua, ainda naqueles tempos, (sec. XVIII), era uma povoação insignificante, uma pequena aldeia pertencente ao concelho de Godim.

Espalhada a fama dos vinhos e construídos os Armazéns da Companhia, esta, continua o célebre Abade de Miragaia, “depois do arrolamento dos vinhos e de outras formalidades do seu instituto, chamava todos os lavradores do Douro à sua grande casa da Régua e ali muito solenemente lhes dava o título de compra dos vinhos e o primeiro pagamento, que, ao todo, importava em centos de contos. A isto se chamava a “Feira dos Vinhos”, que durava oito dias, como os lavradores eram muitos ao tempo e na Régua não havia hotéis, a Companhia dava aos lavradores todos lauto banquete durante aqueles oito dias...Também durante aqueles oito dias na Régua andava o ouro a rodo, pelo que ali se montaram logo muitos estabelecimentos comerciais de toda a rodem, hospedarias, alquilarias e muitas casas de jogo” .Assim nasceu a Régua actual. Na “Feira dos vinhos” já nos fins do século XVIII o valor das vendas atingia a cifra de seis a oito milhões de cruzados

A Régua converte-se num autentico entreposto comercial da Companhia, para facilitar o transporte dos vinhos, não só organiza e disciplina a navegação fluvial, com a construção dos sempre célebres barcos rabelos com a capacidade de transporte de 40 a 50 pipas, como promove a construção da estrada da Régua ao Porto, por Amarante. A vila vai crescendo com a abertura de ruas e ruelas que se escalonam a partir do cais. Como seria movimentado este espaço fluvial com comerciantes, vindos de todas as aldeias, em constante rodopio, a tratarem das suas transações!

A quando das invasões francesas, em 1808, por ocasião da fracassada investida dos exércitos do general Loison, tendo chegado ao Alto de Quintela, decidiu regredir a caminho de Lamego, pondo as populações da bacia do Douro a ferro e fogo, entregando-se ao latrocínio e às pilhagens, em sinal de vingança investe ferozmente contra edifícios, mulheres e crianças. Foi o terror!

Pela administração liberal, no reinado de D. Maria II, por extinção do concelho de Godim, foi a Régua contemplada com a elevação à categoria de vila e concelho, a que ficaram circunscritas as freguesias acima nomeadas.

Já no século XX, nos tempos conturbados da República, por ocasião do levantamento da Monarquia do Norte pelo cap. Paiva Couceiro, foi palco de escaramuças pelas forças realistas em retirada do quartel de Lamego.

Quem viajando de combóio, vindo Porto, se debruça à janela, ao entrar no grande vale do Douro, fica deslumbrado com a panorâmica do cenário que se oferece a nossos olhos. A cidade espraia-se ao longo do vale imenso, cortado ao meio pelas águas mansas do rio. E se a primeira impressão nos oprime pela vulgaridade do casario que se apinha ao longo da rua José Vasques Osório e se prolonga pela Rua dos Camilos, vamos esbarrar com a figura mais emblemática do Douro Vinhateiro – a estátua do Dr. Antão Fernandes de Carvalho - símbolo dos sacerdotes/trabalhadores que na liturgia da Vinha e do Vinho servem o templo que foi da Região – a Casa do Douro –, e para a qual convida a entrar.

Com aspecto pesadão e paredes de granito polido e mármore, já perto da bifurcação para Vila Real, a Casa do Douro, cuja arquitectura melancólica contrasta com a beleza alegre da paisagem, é o foro mais representativo da Lavoura e dos Viticultores. É aqui que se diluem ou se concretizam todos os anseios do lavrador do Douro, na exposição dos seus problemas.

Não sabemos se obedeceu a qualquer critério a escolha das duas figuras históricas que a muralham na toponímia: Primeiro, a Rua do Barão de Forrester e, depois, a Rua do Marquês de Pombal. Descendo por qualquer delas, somos levados em direcção à grande marginal, que se prolonga desde a estação dos Caminhos de Ferro à saída de Jugueiros. Ao lado, de dia e de noite, deslizam as locomotivas que, em tempos não muito remotos, infestavam os ares com os seus apitos sibilinos e as suas fumaças. Não sendo uma cidade histórica de grandes monumentos arquitectónicos, tornou-se naturalmente a capital da Região Demarcada Património da Humanidade, cujos montes transformados em patamares de vinhedos pela mão calejada do homem, deliciam os olhares de quantos os contemplam, quando, viajando em barcos turísticos, sobem rio acima.

Rumando via à bifurcação a que já nos referimos, na direcção da estrada para Vila Real, esbarramos com o monumento aos Aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em esguia coluna neo-manuelina encimada pela cruz de Cristo sobre a esfera armilar. Sobre o pedestal que a sustenta, um medalhão, sobre uma moldura de igual estilo, com a efígie dos dois aviadores, aconchegados, em movimento alado, por uma águia de bronze.

Do lado poente, erguem-se os Paços do Concelho, onde se guarda um exemplar do mapa topográfico do Vale do Douro, da autoria do Barão de Forrester. Por detrás da Câmara, o frondoso parque municipal.sobranceiro à linha férrea.

Escalonando a rua, na direcção de Vila Real, pela estrada de Santa Marta, na parte mais alta do Peso, sobreleva o casario, a construção barroca da actual Igreja Matriz, sob a invocação de S. Faustino, o Patrono da Paróquia.

.O Marquês de Pombal ao criar, em 1756) a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, sob influência de figuras gradas da vida do Douro e do Porto, ao mesmo tempo que mandou delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito, também chamados Marcos de Feitoria, determinou as áreas de produção dos melhores vinhos, instituindo-se a mais antiga Região Demarcada do Mundo. Foi, com efeito, a partir desta medida de rara visão sócio/económica que a Régua passa a ser o maior centro de comércio vinícola, o local aonde todos chegam e donde todos partem.

Foi o prólogo da grande odisseia dos vinhos com a consequente fixação das populações, na margem ribeirinha. Uma nova era de esperança e de luta para muitos, num esforço de vencer entraves de ordem comercial e de produção, à mistura de interesses e rivalidades entre comerciantes e produtores. A história da Régua e sua região confunde-se, pois, com a história da Região Demarcada. Na verdade, a situação geográfica e o vinho legaram-lhe a condição natural para se afirmar como a capital duriense. O palpitar das suas gentes espelha-se na lufa-lufa do dia a dia, principalmente na época das Vindimas, actividade que se repete ano após ano com o mesmo fascínio e encantamento, associados à dureza dos trabalhos. É um ritual festivo o mais participado pelas suas gentes, encerrado com a festa das Vindimas, celebrado no templo marmóreo da Casa do Douro, em Eucaristia solenizada, e à qual se associam, devidamente vestidos com os trajes característicos, os confrades da Confraria.

O rio é um pedaço da alma das gentes da cidade e sua região. Os seus cantares com suas danças, os seus contos com suas lendas, as suas histórias com suas tradições são a expressão cultural e poética das canseiras dum povo, que vive e sonha com o rio. É aqui, nesta Princesa do Douro, que os barcos começam a acostar. Todos os fins de semana, da Primavera ao Outono, movimentam-se milhares de turistas, vindos de todas as partes do mundo, subindo um rio navegável em que a beleza da paisagem se cruza com o verde dos montes e a arquitectura do casario.

A animar os tempos de lazer e de férias da juventude, a prática dos desportos fluviais na época estival.

Para responder às exigências da sociedade moderna, conta com as seguintes instituições: educativas( Escola Secundária Dr. João Camilo, Escola Preparatória, Patronatos), segurança (GNR), sociais (Corporação de Bombeiros Voluntários), hospitalares (Hospital D. Luiz), e desportivas (Pavilhão Gimno-Desportivo).

GASTRONOMIA: Arroz de forno com cabrito assado e leite creme. Rebuçados da Régua; Vinhos da região Demarcada do Douro e o afamado “Vinho do Porto.

FEIRAS ANUAIS: Feira Franca a 14 de Agosto no Peso da Régua; feira da Ascensão em Godim.

FEIRAS SEMANAIS: Peso da Régua à quartas-feiras.

ROMARIAS: Nossa Senhora do Socorro de 14 a 16 de Agosto; Festa da Ascensão em Godim.

ARTESANATO: Trabalhos de vime (cestaria); miniaturas, barcos rabelos e carros de bois típicos; trabalhos em estanho, sobretudo decoração de garrafas de Vinho do Porto.

TERMAS: Termas das Caldas do Moledo, situadas a 5Km da cidade da Régua em direcção ao Porto. São indicadas para tratamento de afecções reumáticas, bronquites, sinusites, rinites, laringites e faringites e dermatoses.

As Freguesias

O concelho distribui-se por doze freguesias, que, desde a sua criação, em 1853, o constituem:

Covelinhas – freguesia muito antiga, povoada por D. Sancho I, assim chamada por se situar numa cova rodeada de montanhas. De acesso muito difícil pela estrada que parte da Barragem. A sua pequena igreja, de traça modesta, data de 1786.

Guarda-se nesta freguesia uma pedra que parece ser da parte superior dum dólmen. No museu de Guimarães guarda-se uma lápide, descoberta na abertura da linha férrea, e se julga ser do século I.

Canelas – freguesia desmembrada de Poiares, sediada na margem esquerda do rio Corgo, pertencente a Panóias, em tempos remotos. O seu passado já remonta ao passado romano, como o testemunham muitos achados arqueológicos aqui encontrados, como o Castellum Romano da Fonte do Milho. A nível patrimonial distinguimos a Igreja de Nossa Senhora das Candeias. As festas à Padroeira realizam-se em 14 e 15 de Agosto.

Fontelas – freguesia, vizinha da sede do concelho, na margem direita do rio Douro, atravessada pela linha férrea, nas estações da Rede e das Caldas do Moledo.. Conta-se que a rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, mandou aqui fazer uma albergaria, com tudo franco, para ricos e pobres, e uma barca de passagem, chamada Molledo.

A nível patrimonial distinguimos a Igreja Matriz com 250 anos de existência, com um altar de estilo renascença e a Capela da Senhora das Dores do sec. XVIII. As capelas existentes distribuem-se por toda a freguesia, quer pertencentes a quintas privadas ou aglomerados populacionais, e datam quase todas do sec. XIX. A festa em honra de S. Tiago é celebrada em 13 e 14 de Agosto.

Na acção social as Irmãs do Instituto do Sagrado Coração de Jesus prestam uma assistência relevante.

Na arquitectura civil, distinguimos entre outras a Casa da Quinta da Igreja, com pedra de armas e a Casa sobre a Fonte, mandada construir por D. Jerónimo Teixeira Cabral, no esc. XVII, Inquisidor Mor em 1593, cargo que desempenhou até ser nomeado bispo de Angra em 1598 e depois de Miranda.

Galafura – Pertenceu ao extinto concelho de Canelas. Está sediada na margem direita do rio Douro, em terreno acidentado, onde se produz óptimo vinho de embarque. A nível patrimonial distinguimos a Igreja Matriz, construída no século XVI, com talha renascença, o Cemitério Mouro e o Miradouro do Monte de S. Leonardo, que o poeta Miguel Torga imortalizou com um belíssimo poema, gravado numa das fragas que muralham a mesma Capela, hoje, muito visitada por turistas estrangeiros e nacionais. É um autêntico promontório, sobre o rio Douro, donde se contempla uma das paisagens mais deslumbrantes destes reinos do País Vinhateiro.

No seu Diário, em 8 de Abril de 1977, diz assim:

“O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama o que os nossos olhos contemplam; é uma excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos, as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico.. A beleza absoluta”.

A festa da freguesia realiza-se a 22 de Fevereiro, em honra de S. Vicente.

Na arquitectura civil, apenas a casa do Terreiro, sec. XVIII,. com pedra de armas e capela sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios.

Godim – A freguesia integra a área urbana da cidade da Régua, e ali estão sediadas, instituições sociais e culturais, bem como diversas empresas particulares que movimentam a actividade da cidade. No sector do ensino, distinguimos a Escola do Rodo, com a vertente prática sobre a agricultura; além disso tem Casa do Povo, a que estão agregados o Lar de Idosos e o Salão de Espectáculos, onde se realizam frequentemente acções culturais. A interpretar a alma e o sentir das gentes do Douro, o Rancho Folclórico de Godim com suas danças típicas e cantares, um dos mais representativo dos ranchos do Alto Douro. A sua festa, em honra da Ascensão do Senhor, quarenta dias após a Páscoa, é a primeira grande manifestação religiosa das redondezas. Ultimamente, virou também feira, onde se comercializa o “Queijo”, a “Feira do Queijo”, como diz o povo.

A sua Igreja paroquial é do sec. XVIII, pouco tempo depois de ser desanexada da Paróquia de S. Faustino da Régua. Ligado à Igreja o Seminário das Missões do Espírito Santo, desde 1924.

Na arquitectura civil destacamos o Solar das Casas Novas, construído em 1739, com pedra de armas e capela de boa traça, os solares das Quintas das Nogueiras, onde habitualmente se instalava D. Antónia Adelaide Ferreira ( A Ferreirinha), dos Ciprestes, das Cerdeiras, da Ladeira, da Leira, da Soalheira e da Santa, todos com pedras armas do sec. XVIII.

Loureiro – É uma das freguesias mais populosas e mais ricas do concelho. Com uma situação geográfica privilegiada sobre o rio Douro, do seu miradouro “Alto de Santo António”, se desfruta uma das panorâmicas mais espectaculares de embevecer os olhos e o espírito do espectador mais exigente, com prolongamento para a Serra das Meadas, em Lamego, e o Monte de S. Domingos, em Armamar.

As suas festas são dedicadas a S. Gonçalo, a abrir o ano, 10 de Janeiro, a Stº. Justo Heitor a 24 de Agosto e a Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro.

Mouramorta – Freguesia situada nas encostas do Marão. Por ser comenda da Ordem de Malta, no passado medieval usufruiu de imensos privilégios. Diz uma lenda que o seu nome deriva do facto de uma jovem judia que preferiu perder a sua vida, neste lugar – Mouramorta – a trocar a sua fé. Pertenceu ao concelho de Santa Marta até ser constituído o concelho de Peso da Régua, em 1855.

Como bens patrimoniais merece referência, a Igreja Matriz, com uma cruz processional muito rara, e o cruzeiro centenário. A sua festa ocorre anualmente a 20 de Julho em honra de Santa Comba.

Na arquitectura civil destacamos a Casa da Comenda, o que resta da desaparecida sede do concelho de Mouramorta.

Poiares – É, sem dúvida, sob o ponto de vista histórico, a freguesia mais importante de todo o concelho da Régua. A criação da paróquia é obra dos cavaleiros do Templo, que aqui tiveram um mosteiro, em frente à actual Igreja Matriz, do qual resta ainda uma Torre. Desta Ordem teria passado, segundo alguns historiadores, para a Ordem de Malta, ou de Rodes. Os comendadores de Poiares que se sucederam ao longo dos tempos, sempre contribuíram, com grande zelo e devoção para as despesas da Igreja. Esta, que tem por orago S. Miguel, é destituída de qualquer interesse arquitectónico. No seu interior guardam-se duas cruzes, de épocas diferentes, de grande preciosidade: a Cruz de pau santo, revestida de ornamentos, e uma outra, coberta de lâminas de prata, com várias figuras bíblicas, presente em muitas exposições nacionais.

Pela freguesia foram erguidas várias capelas públicas ou semi-públicas, sob a invocação de Nossa Senhora das Candeias, Santa Bárbara, Santa Madalena, Santa Luzia, S. Vitorino e Nossa Senhora da Graça.

Desde os meados do século XX, funciona a casa dos Padres Salesianos com colégio, hoje aberto a alunos externos.

Na arquitectura civil, distinguimos a solarenga Casa Grande (séc. XVIII) com brasão e capela interior, e a Casa da Comenda que pertenceu à Ordem dos Templários e um velho cruzeiro.

A sua festa realiza-se no primeiro Domingo de Agosto, com o Bodo aos Pobres, na Segunda-feira.

Sedielos – É uma freguesia, que emerge das faldas do Marão, sobranceira ao rio Douro. Aqui teve haveres Egas Moniz, parte dos quais foi, depois, doada ao Mosteiro de Salzedas pela sua virtuosa mulher, D. Teresa Afonso.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Capela de S. Tiago, cuja festa se realiza a 25 de Julho, a Igreja Matriz, com rica talha de lavores, cujo ouro desapareceu., a capela de Santo António, e a capela de Nossa Senhora do Guadalupe. No lugar do Santo, ergue-se um bonito cruzeiro de granito, um belo trabalho de canteiro.

Na arquitectura civil distinguem-se a Casa Serviçaria, com brasão, e a casa da Quinta da Enxertada, com capela ao Mártir.

Tem feira no terceiro Domingo de cada mês.

Vilarinho dos Freires – Deriva o seu nome por ter sido pertença dos freires da ordem do Templo, dos quais passou para os cavaleiros da Ordem de Malta, com o mosteiro que os templários tinham na vizinha freguesia de Poiares. Terra de solo mimosíssimo para a produção do vinho generoso, laranjas e oliveira, dos melhores que se produz nesta região, ou não estivessem os seus terrenos na margem esquerda do Corgo, ou seja, na parte do Cima Corgo. Das platibandas das suas quintas emergem casas brasonadas e edifícios solarengos, heranças de famílias abastadas.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Igreja Matriz de traça barroca, o Cruzeiro granítico de 1797, e as capelas de S. Pedro, S. João, Santo Amaro e S. João.

Na arquitectura civil distinguimos a Casa Grande com pedra de armas e capela.

A nível religioso celebram-se as seguintes festas: A Stº Amaro a 15 de Janeiro, a Nossa Senhora das Neves a 5 de Agosto, de S. Bartolomeu a 24 de Agosto, Stª Bárbara no 1º Domingo de Setembro e a S. João.

Vinhós – Se bem que já encontramos vestígios desta freguesia coevos da vizinha de Sedielos, sobretudo dos tempos medievos, Vinhós só muito recentemente, no segundo quartel do século XX, ascendeu à categoria de sede de freguesia.

Situada nas faldas do Marão, sendo o Lugar da Ermida ou “Fraga da Ermida” o lugar mais abrupto e mais célebre por ser o local preferido para a águia real fazer o ninho.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Igreja Matriz de 1739, a capela da Ermida do Marão, na Ermida, a capela de S. Miguel, no Covo, e a capela da Ferraria, na Ferraria.

Casa do Douro

Foi a instituição mais credenciada, criada pelo Estado Novo, por Decreto 21.883 de 1932, para a defesa e legitimidade dos vinhos genuínos da Região Demarcada. Dado que a crise do sector vinícola desde há muito se havia instalado na região, decorrente da extinção pelas leis liberais (1834) da Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e não encontrando os viticultores e os comerciantes mecanismos legais para ultrapassar as barreiras que se opunham à produção e ao comércio do vinho de benefício, a sua instituição foi desde logo acarinhada por ambas as partes sob a designação de “Casa do Douro”, redigindo-se de imediato os seus estatutos reguladores como entidade jurídica e instituição de utilidade pública. Para prover às despesas da organização, de garantir o seu orçamento ordinário e de a armar financeiramente constituíram-se dois fundos: o Fundo Social e o Fundo de Crédito.

Subjacente à filosofia económica e social decorrente dos Estatutos que lhe conferem personalidade jurídica, podem subentender-se as linhas de segurança e de assistência aos pequenos e médios produtores para fazerem face às exigências e vicissitudes da produção e do comércio. Para o efeito se anuncia a necessidade de um organismo paralelo da Casa do Douro para o comércio exportador – o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto. A arbitrar uma e outra instituição, o Instituto do Vinho do Porto, criado posteriormente. Ao Estado compete uma intervenção essencialmente “coordenadora das actividades individuais, cujos direitos, aliás, de forma alguma se pretende coarctar, mas antes defender”. Era assim ao tempo da sua fundação e assim foi cumprindo a sua missão, enquanto defensora dos direitos das gentes da região. A partir do momento, mormente a partir do 25 de Abril, em que agentes estranhos deram por não interpretar sensatamente os sinais dos novos tempos e as mutações sociais e económicas inerentes à evolução dos tempos, a Casa do Douro viu-se espoliada das funções para que foi instituída. A década de 90 foi fatal para a sua continuidade como instância de segurança dos direitos dos produtores. O presente nada augura de positivo.

Adega Cooperativa do Rodo

Uma das Adegas mais reputadas e medalhadas (nacional e internacionalmente) da Região Demarcada. Constituída por escritura pública a 26 de Junho de 1950, foi seu primeiro Presidente João Vasques Osório. Nasceu da vontade livre de uns tantos ilustres e distintos viticultores reguenses como às necessidades de criar melhores condições de vida para si e demais cooperadores. No ano seguinte, 1951, no Vale do Rodo, limite das freguesias de Godim/Peso da Régua, iniciaram-se as obras das actuais instalações e a partir daí não parou de evoluir em termos patrimoniais e sociais. A experiência de meio século de existência na gestão do sector dos vinhos produzidos tem garantido a sua estabilidade de modo a vencer com êxito as crises nos anos de fraca produção.

Em 1996, no ano agrícola-produção de vinhos situou-se em 2º lugar a nível regional e na 4ª posição a nível nacional. Pela qualidade dos seus vinhos, recebeu em 10/03/97 na cidade de Paris o 25º Troféu Internacional da Qualidade, atribuído s empresas que no mundo se destacaram no sentido da qualidade e prestígio dos seus produtos.

Os seus membros directivos têm assento no Conselho Regional de Viticultores da Casa do Douro, Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro (CIRDD) e na Associação de Empresas do Vinho do Porto.

Entre outras distinções feitas aos vinhos da Cooperativa Vitivinícola do Peso da Régua – Caves Vale do Rodo, são de destacar as seguintes:

Medalha de Ouro – Cabeça de Burro 1982- VII Concurso Nacional de vinhos engarrafados.

Medalha de Prata - Cabeça de Burro 1987 – VIII Concurso nacional de vinhos engarrafados das Adegas Cooperativas.

Medalha de Bronze Tellu!s 1992 – VII Concursos de Vinhos “Douro”.

Meios de comunicação social

O Vinho e a Região Demarcada são a alma das gentes do Douro. Os seus problemas, os anseios e as suas aspirações reflectem-se no viver da sua existência. Uma das chagas do nosso País foi a emigração, que nenhum governo parecia interessado em suster. Foi assim no passado e há-de continuar a ser no presente. Pois foi para responder a todo este surto migratório a ajuntar a tantos outros problemas da viticultura que, desde os finais do século XIX e o alvorecer do século XX, foram surgindo vozes na imprensa escrita para dar cunho de grito à situação degradada a que foi votado o Douro. Para grandes males, grandes remédios, dizia-se na altura. E os periódicos sucederam-se a clamar ao longe e ao largo pela partida da mão de obra braçal para outras terras. Primeiro a Voz do Douro e o Dissidente, seguidos do Douro, dirigido pelo Dr. Costa Pinto. No Dissidente pontificava José Maria de Alpoim, cujo rugido ecoou no Terreiro do Paço. E a verdade é que foram tomadas algumas medidas que o caso reclamava. Na mesma linha de orientação, os periódicos Cinco de Outubro e o Independente Reguense. Estas as tribunas principais até à data em que aparece, em 1934, o Notícias do Douro, que, como o seu título sugere, se bateu desde a primeira hora pelos interesses legítimos das gentes do Douro, mormente dos viticultores, informando e prevenindo, protestando e criticando, organizando congressos e reuniões, em suma, dando uma informação alargada das verdadeiras aspirações e das medidas a tomar por parte das entidades competentes, directivas ou políticas, em prol da Região Demarcada. A comprovar as nossas asserções, leiam-se os números dos últimos quinze anos, sob a direcção do Dr. Mansilha, seu Director.

Recentemente, mais precisamente a partir de 1979, mais uma voz a ajuntar ao espectro jornalístico da região: o semanário Arrais. Está na linha das gerações do passado.

Adega Cooperativa do Rodo

Uma das Adegas mais reputadas e medalhadas (nacional e internacionalmente) da Região Demarcada. Constituída por escritura pública a 26 de Junho de 1950, foi seu primeiro Presidente João Vasques Osório. Nasceu da vontade livre de uns tantos ilustres e distintos viticultores reguenses como às necessidades de criar melhores condições de vida para si e demais cooperadores. No ano seguinte, 1951, no Vale do Rodo, limite das freguesias de Godim/Peso da Régua, iniciaram-se as obras das actuais instalações e a partir daí não parou de evoluir em termos patrimoniais e sociais. A experiência de meio século de existência na gestão do sector dos vinhos produzidos tem garantido a sua estabilidade de modo a vencer com êxito as crises nos anos de fraca produção.

Em 1996, no ano agrícola-produção de vinhos situou-se em 2º lugar a nível regional e na 4ª posição a nível nacional. Pela qualidade dos seus vinhos, recebeu em 10/03/97 na cidade de Paris o 25º Troféu Internacional da Qualidade, atribuído s empresas que no mundo se destacaram no sentido da qualidade e prestígio dos seus produtos.

Os seus membros directivos têm assento no Conselho Regional de Viticultores da Casa do Douro, Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro (CIRDD) e na Associação de Empresas do Vinho do Porto.

Entre outras distinções feitas aos vinhos da Cooperativa Vitivinícola do Peso da Régua – Caves Vale do Rodo, são de destacar as seguintes:

Medalha de Ouro – Cabeça de Burro 1982- VII Concurso Nacional de vinhos engarrafados.

Medalha de Prata - Cabeça de Burro 1987 – VIII Concurso nacional de vinhos engarrafados das Adegas Cooperativas.

Medalha de Bronze Tellu!s 1992 – VII Concursos de Vinhos “Douro”.

Casa do Douro

Foi a instituição mais credenciada, criada pelo Estado Novo, por Decreto 21.883 de 1932, para a defesa e legitimidade dos vinhos genuínos da Região Demarcada. Dado que a crise do sector vinícola desde há muito se havia instalado na região, decorrente da extinção pelas leis liberais (1834) da Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e não encontrando os viticultores e os comerciantes mecanismos legais para ultrapassar as barreiras que se opunham à produção e ao comércio do vinho de benefício, a sua instituição foi desde logo acarinhada por ambas as partes sob a designação de “Casa do Douro”, redigindo-se de imediato os seus estatutos reguladores como entidade jurídica e instituição de utilidade pública. Para prover às despesas da organização, de garantir o seu orçamento ordinário e de a armar financeiramente constituíram-se dois fundos: o Fundo Social e o Fundo de Crédito.

Subjacente à filosofia económica e social decorrente dos Estatutos que lhe conferem personalidade jurídica, podem subentender-se as linhas de segurança e de assistência aos pequenos e médios produtores para fazerem face às exigências e vicissitudes da produção e do comércio. Para o efeito se anuncia a necessidade de um organismo paralelo da Casa do Douro para o comércio exportador – o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto. A arbitrar uma e outra instituição, o Instituto do Vinho do Porto, criado posteriormente. Ao Estado compete uma intervenção essencialmente “coordenadora das actividades individuais, cujos direitos, aliás, de forma alguma se pretende coarctar, mas antes defender”. Era assim ao tempo da sua fundação e assim foi cumprindo a sua missão, enquanto defensora dos direitos das gentes da região. A partir do momento, mormente a partir do 25 de Abril, em que agentes estranhos deram por não interpretar sensatamente os sinais dos novos tempos e as mutações sociais e económicas inerentes à evolução dos tempos, a Casa do Douro viu-se espoliada das funções para que foi instituída. A década de 90 foi fatal para a sua continuidade como instância de segurança dos direitos dos produtores. O presente nada augura de positivo.

As Freguesias

O concelho distribui-se por doze freguesias, que, desde a sua criação, em 1853, o constituem:

Covelinhas – freguesia muito antiga, povoada por D. Sancho I, assim chamada por se situar numa cova rodeada de montanhas. De acesso muito difícil pela estrada que parte da Barragem. A sua pequena igreja, de traça modesta, data de 1786.

Guarda-se nesta freguesia uma pedra que parece ser da parte superior dum dólmen. No museu de Guimarães guarda-se uma lápide, descoberta na abertura da linha férrea, e se julga ser do século I.

Canelas – freguesia desmembrada de Poiares, sediada na margem esquerda do rio Corgo, pertencente a Panóias, em tempos remotos. O seu passado já remonta ao passado romano, como o testemunham muitos achados arqueológicos aqui encontrados, como o Castellum Romano da Fonte do Milho. A nível patrimonial distinguimos a Igreja de Nossa Senhora das Candeias. As festas à Padroeira realizam-se em 14 e 15 de Agosto.

Fontelas – freguesia, vizinha da sede do concelho, na margem direita do rio Douro, atravessada pela linha férrea, nas estações da Rede e das Caldas do Moledo.. Conta-se que a rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, mandou aqui fazer uma albergaria, com tudo franco, para ricos e pobres, e uma barca de passagem, chamada Molledo.

A nível patrimonial distinguimos a Igreja Matriz com 250 anos de existência, com um altar de estilo renascença e a Capela da Senhora das Dores do sec. XVIII. As capelas existentes distribuem-se por toda a freguesia, quer pertencentes a quintas privadas ou aglomerados populacionais, e datam quase todas do sec. XIX. A festa em honra de S. Tiago é celebrada em 13 e 14 de Agosto.

Na acção social as Irmãs do Instituto do Sagrado Coração de Jesus prestam uma assistência relevante.

Na arquitectura civil, distinguimos entre outras a Casa da Quinta da Igreja, com pedra de armas e a Casa sobre a Fonte, mandada construir por D. Jerónimo Teixeira Cabral, no esc. XVII, Inquisidor Mor em 1593, cargo que desempenhou até ser nomeado bispo de Angra em 1598 e depois de Miranda.

Galafura – Pertenceu ao extinto concelho de Canelas. Está sediada na margem direita do rio Douro, em terreno acidentado, onde se produz óptimo vinho de embarque. A nível patrimonial distinguimos a Igreja Matriz, construída no século XVI, com talha renascença, o Cemitério Mouro e o Miradouro do Monte de S. Leonardo, que o poeta Miguel Torga imortalizou com um belíssimo poema, gravado numa das fragas que muralham a mesma Capela, hoje, muito visitada por turistas estrangeiros e nacionais. É um autêntico promontório, sobre o rio Douro, donde se contempla uma das paisagens mais deslumbrantes destes reinos do País Vinhateiro.

No seu Diário, em 8 de Abril de 1977, diz assim:

“O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama o que os nossos olhos contemplam; é uma excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos, as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico.. A beleza absoluta”.

A festa da freguesia realiza-se a 22 de Fevereiro, em honra de S. Vicente.

Na arquitectura civil, apenas a casa do Terreiro, sec. XVIII,. com pedra de armas e capela sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios.

Godim – A freguesia integra a área urbana da cidade da Régua, e ali estão sediadas, instituições sociais e culturais, bem como diversas empresas particulares que movimentam a actividade da cidade. No sector do ensino, distinguimos a Escola do Rodo, com a vertente prática sobre a agricultura; além disso tem Casa do Povo, a que estão agregados o Lar de Idosos e o Salão de Espectáculos, onde se realizam frequentemente acções culturais. A interpretar a alma e o sentir das gentes do Douro, o Rancho Folclórico de Godim com suas danças típicas e cantares, um dos mais representativo dos ranchos do Alto Douro. A sua festa, em honra da Ascensão do Senhor, quarenta dias após a Páscoa, é a primeira grande manifestação religiosa das redondezas. Ultimamente, virou também feira, onde se comercializa o “Queijo”, a “Feira do Queijo”, como diz o povo.

A sua Igreja paroquial é do sec. XVIII, pouco tempo depois de ser desanexada da Paróquia de S. Faustino da Régua. Ligado à Igreja o Seminário das Missões do Espírito Santo, desde 1924.

Na arquitectura civil destacamos o Solar das Casas Novas, construído em 1739, com pedra de armas e capela de boa traça, os solares das Quintas das Nogueiras, onde habitualmente se instalava D. Antónia Adelaide Ferreira ( A Ferreirinha), dos Ciprestes, das Cerdeiras, da Ladeira, da Leira, da Soalheira e da Santa, todos com pedras armas do sec. XVIII.

Loureiro – É uma das freguesias mais populosas e mais ricas do concelho. Com uma situação geográfica privilegiada sobre o rio Douro, do seu miradouro “Alto de Santo António”, se desfruta uma das panorâmicas mais espectaculares de embevecer os olhos e o espírito do espectador mais exigente, com prolongamento para a Serra das Meadas, em Lamego, e o Monte de S. Domingos, em Armamar.

As suas festas são dedicadas a S. Gonçalo, a abrir o ano, 10 de Janeiro, a Stº. Justo Heitor a 24 de Agosto e a Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro.

Mouramorta – Freguesia situada nas encostas do Marão. Por ser comenda da Ordem de Malta, no passado medieval usufruiu de imensos privilégios. Diz uma lenda que o seu nome deriva do facto de uma jovem judia que preferiu perder a sua vida, neste lugar – Mouramorta – a trocar a sua fé. Pertenceu ao concelho de Santa Marta até ser constituído o concelho de Peso da Régua, em 1855.

Como bens patrimoniais merece referência, a Igreja Matriz, com uma cruz processional muito rara, e o cruzeiro centenário. A sua festa ocorre anualmente a 20 de Julho em honra de Santa Comba.

Na arquitectura civil destacamos a Casa da Comenda, o que resta da desaparecida sede do concelho de Mouramorta.

Poiares – É, sem dúvida, sob o ponto de vista histórico, a freguesia mais importante de todo o concelho da Régua. A criação da paróquia é obra dos cavaleiros do Templo, que aqui tiveram um mosteiro, em frente à actual Igreja Matriz, do qual resta ainda uma Torre. Desta Ordem teria passado, segundo alguns historiadores, para a Ordem de Malta, ou de Rodes. Os comendadores de Poiares que se sucederam ao longo dos tempos, sempre contribuíram, com grande zelo e devoção para as despesas da Igreja. Esta, que tem por orago S. Miguel, é destituída de qualquer interesse arquitectónico. No seu interior guardam-se duas cruzes, de épocas diferentes, de grande preciosidade: a Cruz de pau santo, revestida de ornamentos, e uma outra, coberta de lâminas de prata, com várias figuras bíblicas, presente em muitas exposições nacionais.

Pela freguesia foram erguidas várias capelas públicas ou semi-públicas, sob a invocação de Nossa Senhora das Candeias, Santa Bárbara, Santa Madalena, Santa Luzia, S. Vitorino e Nossa Senhora da Graça.

Desde os meados do século XX, funciona a casa dos Padres Salesianos com colégio, hoje aberto a alunos externos.

Na arquitectura civil, distinguimos a solarenga Casa Grande (séc. XVIII) com brasão e capela interior, e a Casa da Comenda que pertenceu à Ordem dos Templários e um velho cruzeiro.

A sua festa realiza-se no primeiro Domingo de Agosto, com o Bodo aos Pobres, na Segunda-feira.

Sedielos – É uma freguesia, que emerge das faldas do Marão, sobranceira ao rio Douro. Aqui teve haveres Egas Moniz, parte dos quais foi, depois, doada ao Mosteiro de Salzedas pela sua virtuosa mulher, D. Teresa Afonso.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Capela de S. Tiago, cuja festa se realiza a 25 de Julho, a Igreja Matriz, com rica talha de lavores, cujo ouro desapareceu., a capela de Santo António, e a capela de Nossa Senhora do Guadalupe. No lugar do Santo, ergue-se um bonito cruzeiro de granito, um belo trabalho de canteiro.

Na arquitectura civil distinguem-se a Casa Serviçaria, com brasão, e a casa da Quinta da Enxertada, com capela ao Mártir.

Tem feira no terceiro Domingo de cada mês.

Vilarinho dos Freires – Deriva o seu nome por ter sido pertença dos freires da ordem do Templo, dos quais passou para os cavaleiros da Ordem de Malta, com o mosteiro que os templários tinham na vizinha freguesia de Poiares. Terra de solo mimosíssimo para a produção do vinho generoso, laranjas e oliveira, dos melhores que se produz nesta região, ou não estivessem os seus terrenos na margem esquerda do Corgo, ou seja, na parte do Cima Corgo. Das platibandas das suas quintas emergem casas brasonadas e edifícios solarengos, heranças de famílias abastadas.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Igreja Matriz de traça barroca, o Cruzeiro granítico de 1797, e as capelas de S. Pedro, S. João, Santo Amaro e S. João.

Na arquitectura civil distinguimos a Casa Grande com pedra de armas e capela.

A nível religioso celebram-se as seguintes festas: A Stº Amaro a 15 de Janeiro, a Nossa Senhora das Neves a 5 de Agosto, de S. Bartolomeu a 24 de Agosto, Stª Bárbara no 1º Domingo de Setembro e a S. João.

Vinhós – Se bem que já encontramos vestígios desta freguesia coevos da vizinha de Sedielos, sobretudo dos tempos medievos, Vinhós só muito recentemente, no segundo quartel do século XX, ascendeu à categoria de sede de freguesia.

Situada nas faldas do Marão, sendo o Lugar da Ermida ou “Fraga da Ermida” o lugar mais abrupto e mais célebre por ser o local preferido para a águia real fazer o ninho.

Na arquitectura religiosa distinguimos a Igreja Matriz de 1739, a capela da Ermida do Marão, na Ermida, a capela de S. Miguel, no Covo, e a capela da Ferraria, na Ferraria.

O CONCELHO

Sempre que falamos do Douro (Região Demarcada e Vinho do Porto), evocamos de imediato a Régua, cidade espraiada no grande vale do rio do Douro que, espreguiçadamente, lhe corre aos pés. Se outros pergaminhos não lhe bastassem, este seria suficiente para a impôr como a Capital do Douro e da Região Demarcada por legislação pombalina. Vejamos como Ramalhão Ortigão a descreveu numa das suas viagens ao Douro pelos finais do século XIX: “Acordado pela mais alegre alvorada que os melros têm jamais assobiado pela fresca ramaria Das veigas, abro a janela. Um deslumbramento! Debaixo da varanda, voltada a Norte, estende-se em doce declive um largo talhão de vinha baixa, cerrada, espessa, em todos os tons de verde, desde o m ais vivo ao mais escuro, rajada das tintas maduras do Outono em manchas cor de âmbar e cor de fogo, loiras, vermelhas, calcinadas. Em baixo o rio Douro, espraiado, descreve um enorme S em toda a extensão do vale, reluzindo entre rasgões de olivedos e de pomares, por trás das ramas viçosas dos choupos e dos amieiros. Uma cortina de montanhas fecha o horizonte de todos os lados. No plano mais alto, em frente, ao fundo, alteia-se a cordilheira do Marão, cujos cabeços calvos, de uma cor térrea banhada em sol, parecem pintar sobre a transparência do céu o dorso imenso de um fantástico boi. Por todas as encostas do primeiro plano descem os vinhedos em largos degraus de verdura, desde o alto dos montes salpicados de pinhais até à beira rio. Em todas as quebradas alvejam casas caiadas de branco, cintilantes ao sol nascente..”

Ainda bem que as preocupações da pseudomodernidade das novas correntes não lhe desfiguraram ainda o rosto da paisagem rural e dos vinhedos. Pena é que, recentemente, as instituições administrativas locais e regionais, preocupadas apenas com o surto do progresso urbanístico da zona ribeirinha, se deixassem enlear pelas vozes dos senhores de comércio fácil com a construção de torres de habitação e hotéis de turismo, autênticos atentados às aguas correntes onde se espelham e à nova marginal que as contorna.

A cidade da Régua administrativamente pertence ao Distrito e diocese de Vila Real; é sede de concelho e comarca e tem como orago S. Faustino, distribuindo-se as suas populações de 17.024 habitantes por doze freguesias: Covelinhas, Fontelas, Galafura, Godim, Loureiro, Moura Morta, Peso da Régua, Poiares, Sedielos, Vilarinho dos Freires, Vinhós e Canelas. Geograficamente estão todas sediadas nas encostas das montanhas transformadas em vinhedos a caminho de Vila Real, formando uma coroa sendo a cidade seu ponto convergente e aonde vão dar todos os caminhos.

Perdem-se na nebulosidade dos tempos as origens da cidade da Régua. O topónimo da Régua, segundo as conjecturas dalguns historiadores e filólogos, teria origem na designação Regula que os funcionários romanos da era da administração imperial teriam dado a esta passagem estratégica do rio: regra teria a significação de manter direito, disposição legal. Direito este herdado de ascendentes ou concedido por foral? Seria esta regra ou este direito dado por D.Teresa a D. Hugo, bispo do Porto, coutando-lhe as terras em volta e consignando-lhe metade dos proventos da passagem das barcas que faziam a travessia entre as duas margens?

Também não é de excluir a hipótese que, situando-se a Régua dentro dos limites do concelho de Godim, conservasse direito próprio, uma regra que veio a designar essa área. Desses tempos imperiais se encontraram vestígios nas encostas de Covelinhas (uma típica villa) e nas proximidades de Lamego(uma estátua feminina) hoje exposta no Museu de Lamego. Na vizinha Quinta do Torrão, há cerca de um século

teria sido encontrado uma espécie de saco de cimento com moedas romanas, de prata e de cobre, de grande valor numismático, com efígies de imperadores. Aliàs, é sabido que, em algumas quintas, nos trabalhos de saibramento para a replantação da vinha por vezes é-se surpreendido com o aparecimento de tijolos ou alicerce de tijolos ou de granito, o que vem confirmar, segundo os historiadores, a presença dos romanos em Cidadelhe, Covelinhas, Poiares e em Lamego.

Associado à Régua, que nasceu paredes meias com o rio, desenvolveu-se anteriormente o Peso, no cimo do monte que a abriga. Peso parece derivar de pensum= penso, o penso dado aos animais, após horas de caminhada de quem vinha de norte para sul, e, mais tarde, o próprio local onde se repousava para dar a refeição aos animais. A atestar a importância desta localidade lê-se no documento de doação de D. Teresa ao bispo D. Hugo, que não se refere à zona ribeirinha, na parte baixa da actual cidade, mas a que a fica no cimo do monte, o actual Peso. É curioso notar como Rui Fernandes, na sua obra sobre Lamego, escrita em 1532, menciona “S. Prisco da Regua”, figurando como freguesia diferente “a camara do Bispo do Porto que se chama o Pesso”(Peso).

Há quem avance que no lugar onde hoje se encontra a Igreja do Cruzeiro, teria existido um pequeno templo, que foi completamente destruído por uma cheia, em 1734.

Temos assim referências históricas a dois lugares distintos e que hoje constituem a cidade do Peso da Régua: o foral manuelino de Penaguião de 1519 citando o lugar da Régua, pertencente à “terra” e julgado de Penaguião, enquanto o lugar do Peso era um pequeno concelho onde os bispos do Porto, por ser sua “camara” exerciam a jurisdição temporal a par da espiritual, nomeando os seus poderes de justiça da vila do Peso, independente da vizinha Régua do concelho de Penaguião.

Não se pode dizer pois que “a Régua é uma terra nova” , como muitos por aí escrevem. Desde os primeiros tempos da monarquia se fazia, entre outros o cultivo da vinha que encontrou nesta região um clima e terreno propícios, como muito bem o refere Rui Fernandes da cidade de Lamego. Ao longo de toda a Idade Média são feitas através das águas do Douro as carregações para o Porto e daqui para a nossa feitoria da Flandres através dos mercadores; mas é, sobretudo a partir da centúria de Quinhentos que o vinho produzido nas quintas vizinhas da urbe lamecense começam a consolidar posições comerciais. São os vinhos produzidos na zona norte do concelho de Lamego mas igualmente numa linha que atravessa de Sul para Norte o coração do Baixo Corgo, passando por Cambres e alargando-se até Lobrigos e Vila Real. É neste contexto geográfico de produção vitivinícola que começa a ganhar foros de importância comercial a pequena aldeia da Régua.

Quando, em 1638, o alemão Cristiano Kopke decide fundar no Porto uma firma dedicada ao negócio da exportação de vinhos, o Douro já vivia uma fase de grande animação. O vinho e a vinha do Douro passam a ter uma grande importância como factor de promoção e expansão social nas terras altaneiras do Douro e se constrói a Região do País Vinhateiro. É ao longo de todo o século XVII e princípios de XVIII, nesses anos de euforia, que nas encostas mais expostas ao sol e vizinhas do Douro e seus afluentes, senhores locais, comerciantes e alguns mosteiros de ordens monásticas dão início à paisagem que hoje sobe em patamares, partindo rio.

Já antes, diz Pina Manique, quando a exportação do vinho “generoso” se fazia pelas águas do Douro, passaram a concentrar-se de todas as direcções os seus produtos no lugar da Régua, que, por via disso, crescia a olhos vistos. Em 1703 pela celebração do Tratado de Methueen as plantações tomam novo incremento, invadindo as encostas até ao Cachão da Valeira, acima do Tua.

A Régua, pela localização, começa a assumir-se como referencial, até que nasce a Companhia de Agricultura das Vinhas do Alto Douro por alvará régio de 1756. É o início dum grande surto comercial, envolvendo proprietários, comerciantes naturais e estrangeiros e o crescimento duma região que tem por capital a cidade da Régua.

Se no Peso se evidencia a acção senhorial pela construção dos seus palacetes, na Régua a acção régia pela construção dos Armazéns da Companhia, que ainda hoje constituem um dos seus ex-libris.

Em virtude das suas leis sobre o regime senhorial, D. Maria I, em 1789, de acordo com o prelado portuense, suprimiu a “câmara” ou couto do Peso e instituiu uma capitania mor extinta pelo liberalismo. A actual denominação Peso da Régua justifica-se assim por ter sido o Peso (concelho dos bispos do Porto) e não a Régua. A separação das freguesias do Peso e da Régua ainda se mantinha nos fins do século XVIII, sendo esta paroquiada por um Arcediago e aquela por um cura. A junção ter-se-à verificado com a construção da nova Matriz, no Peso, em 1760.

Nos fins do século XIX escreve o Abade de Miragaia:” a vila da Régua, a mais linda e de mais vida de Trás-os-Montes, já poderia ser cidade se os seus os seus vereadores não fossem tão indolentes...( Uma boa chamada de atenção!) a formosa vila da Régua, tão vantajosamente situada no centro do coração do Douro, dessa região encantadora, fertilíssima e mimosíssima, que não tem rival entre nós a Régua, muito bem servida por diligências, pela via fluvial e pela linha férrea do Douro, na qual tem a estação mais movimentada que há no Norte de Portugal do país depois do Porto – a Régua, ainda naqueles tempos, (sec. XVIII), era uma povoação insignificante, uma pequena aldeia pertencente ao concelho de Godim.

Espalhada a fama dos vinhos e construídos os Armazéns da Companhia, esta, continua o célebre Abade de Miragaia, “depois do arrolamento dos vinhos e de outras formalidades do seu instituto, chamava todos os lavradores do Douro à sua grande casa da Régua e ali muito solenemente lhes dava o título de compra dos vinhos e o primeiro pagamento, que, ao todo, importava em centos de contos. A isto se chamava a “Feira dos Vinhos”, que durava oito dias, como os lavradores eram muitos ao tempo e na Régua não havia hotéis, a Companhia dava aos lavradores todos lauto banquete durante aqueles oito dias...Também durante aqueles oito dias na Régua andava o ouro a rodo, pelo que ali se montaram logo muitos estabelecimentos comerciais de toda a rodem, hospedarias, alquilarias e muitas casas de jogo” .Assim nasceu a Régua actual. Na “Feira dos vinhos” já nos fins do século XVIII o valor das vendas atingia a cifra de seis a oito milhões de cruzados

A Régua converte-se num autentico entreposto comercial da Companhia, para facilitar o transporte dos vinhos, não só organiza e disciplina a navegação fluvial, com a construção dos sempre célebres barcos rabelos com a capacidade de transporte de 40 a 50 pipas, como promove a construção da estrada da Régua ao Porto, por Amarante. A vila vai crescendo com a abertura de ruas e ruelas que se escalonam a partir do cais. Como seria movimentado este espaço fluvial com comerciantes, vindos de todas as aldeias, em constante rodopio, a tratarem das suas transações!

A quando das invasões francesas, em 1808, por ocasião da fracassada investida dos exércitos do general Loison, tendo chegado ao Alto de Quintela, decidiu regredir a caminho de Lamego, pondo as populações da bacia do Douro a ferro e fogo, entregando-se ao latrocínio e às pilhagens, em sinal de vingança investe ferozmente contra edifícios, mulheres e crianças. Foi o terror!

Pela administração liberal, no reinado de D. Maria II, por extinção do concelho de Godim, foi a Régua contemplada com a elevação à categoria de vila e concelho, a que ficaram circunscritas as freguesias acima nomeadas.

Já no século XX, nos tempos conturbados da República, por ocasião do levantamento da Monarquia do Norte pelo cap. Paiva Couceiro, foi palco de escaramuças pelas forças realistas em retirada do quartel de Lamego.

Quem viajando de combóio, vindo Porto, se debruça à janela, ao entrar no grande vale do Douro, fica deslumbrado com a panorâmica do cenário que se oferece a nossos olhos. A cidade espraia-se ao longo do vale imenso, cortado ao meio pelas águas mansas do rio. E se a primeira impressão nos oprime pela vulgaridade do casario que se apinha ao longo da rua José Vasques Osório e se prolonga pela Rua dos Camilos, vamos esbarrar com a figura mais emblemática do Douro Vinhateiro – a estátua do Dr. Antão Fernandes de Carvalho - símbolo dos sacerdotes/trabalhadores que na liturgia da Vinha e do Vinho servem o templo que foi da Região – a Casa do Douro –, e para a qual convida a entrar.

Com aspecto pesadão e paredes de granito polido e mármore, já perto da bifurcação para Vila Real, a Casa do Douro, cuja arquitectura melancólica contrasta com a beleza alegre da paisagem, é o foro mais representativo da Lavoura e dos Viticultores. É aqui que se diluem ou se concretizam todos os anseios do lavrador do Douro, na exposição dos seus problemas.

Não sabemos se obedeceu a qualquer critério a escolha das duas figuras históricas que a muralham na toponímia: Primeiro, a Rua do Barão de Forrester e, depois, a Rua do Marquês de Pombal. Descendo por qualquer delas, somos levados em direcção à grande marginal, que se prolonga desde a estação dos Caminhos de Ferro à saída de Jugueiros. Ao lado, de dia e de noite, deslizam as locomotivas que, em tempos não muito remotos, infestavam os ares com os seus apitos sibilinos e as suas fumaças. Não sendo uma cidade histórica de grandes monumentos arquitectónicos, tornou-se naturalmente a capital da Região Demarcada Património da Humanidade, cujos montes transformados em patamares de vinhedos pela mão calejada do homem, deliciam os olhares de quantos os contemplam, quando, viajando em barcos turísticos, sobem rio acima.

Rumando via à bifurcação a que já nos referimos, na direcção da estrada para Vila Real, esbarramos com o monumento aos Aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em esguia coluna neo-manuelina encimada pela cruz de Cristo sobre a esfera armilar. Sobre o pedestal que a sustenta, um medalhão, sobre uma moldura de igual estilo, com a efígie dos dois aviadores, aconchegados, em movimento alado, por uma águia de bronze.

Do lado poente, erguem-se os Paços do Concelho, onde se guarda um exemplar do mapa topográfico do Vale do Douro, da autoria do Barão de Forrester. Por detrás da Câmara, o frondoso parque municipal.sobranceiro à linha férrea.

Escalonando a rua, na direcção de Vila Real, pela estrada de Santa Marta, na parte mais alta do Peso, sobreleva o casario, a construção barroca da actual Igreja Matriz, sob a invocação de S. Faustino, o Patrono da Paróquia.

.O Marquês de Pombal ao criar, em 1756) a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, sob influência de figuras gradas da vida do Douro e do Porto, ao mesmo tempo que mandou delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito, também chamados Marcos de Feitoria, determinou as áreas de produção dos melhores vinhos, instituindo-se a mais antiga Região Demarcada do Mundo. Foi, com efeito, a partir desta medida de rara visão sócio/económica que a Régua passa a ser o maior centro de comércio vinícola, o local aonde todos chegam e donde todos partem.

Foi o prólogo da grande odisseia dos vinhos com a consequente fixação das populações, na margem ribeirinha. Uma nova era de esperança e de luta para muitos, num esforço de vencer entraves de ordem comercial e de produção, à mistura de interesses e rivalidades entre comerciantes e produtores. A história da Régua e sua região confunde-se, pois, com a história da Região Demarcada. Na verdade, a situação geográfica e o vinho legaram-lhe a condição natural para se afirmar como a capital duriense. O palpitar das suas gentes espelha-se na lufa-lufa do dia a dia, principalmente na época das Vindimas, actividade que se repete ano após ano com o mesmo fascínio e encantamento, associados à dureza dos trabalhos. É um ritual festivo o mais participado pelas suas gentes, encerrado com a festa das Vindimas, celebrado no templo marmóreo da Casa do Douro, em Eucaristia solenizada, e à qual se associam, devidamente vestidos com os trajes característicos, os confrades da Confraria.

O rio é um pedaço da alma das gentes da cidade e sua região. Os seus cantares com suas danças, os seus contos com suas lendas, as suas histórias com suas tradições são a expressão cultural e poética das canseiras dum povo, que vive e sonha com o rio. É aqui, nesta Princesa do Douro, que os barcos começam a acostar. Todos os fins de semana, da Primavera ao Outono, movimentam-se milhares de turistas, vindos de todas as partes do mundo, subindo um rio navegável em que a beleza da paisagem se cruza com o verde dos montes e a arquitectura do casario.

A animar os tempos de lazer e de férias da juventude, a prática dos desportos fluviais na época estival.

Para responder às exigências da sociedade moderna, conta com as seguintes instituições: educativas( Escola Secundária Dr. João Camilo, Escola Preparatória, Patronatos), segurança (GNR), sociais (Corporação de Bombeiros Voluntários), hospitalares (Hospital D. Luiz), e desportivas (Pavilhão Gimno-Desportivo).

GASTRONOMIA: Arroz de forno com cabrito assado e leite creme. Rebuçados da Régua; Vinhos da região Demarcada do Douro e o afamado “Vinho do Porto.

FEIRAS ANUAIS: Feira Franca a 14 de Agosto no Peso da Régua; feira da Ascensão em Godim.

FEIRAS SEMANAIS: Peso da Régua à quartas-feiras.

ROMARIAS: Nossa Senhora do Socorro de 14 a 16 de Agosto; Festa da Ascensão em Godim.

ARTESANATO: Trabalhos de vime (cestaria); miniaturas, barcos rabelos e carros de bois típicos; trabalhos em estanho, sobretudo decoração de garrafas de Vinho do Porto.

TERMAS: Termas das Caldas do Moledo, situadas a 5Km da cidade da Régua em direcção ao Porto. São indicadas para tratamento de afecções reumáticas, bronquites, sinusites, rinites, laringites e faringites e dermatoses.