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LACERDA, Gaspar Teixeira de Magalhães

foi visconde do Peso da Régua. Nasceu em Vila Real, em 21.8.1763.Seguiu a carreira das armas, tendo assentado praça no regimento de Cavalaria 12 e logo promovido a capitão, em 1 de Março de 1797, por ter apresentado uma companhia de cavalos à sua custa. Atingiu o posto de major em 12 de Outubro de 1803. Tendo os franceses dissolvido o exército português após a 1 invasão Gaspar Lacerda retirou se para a sua Casa de Guimarães; mas, mal a sublevação contra os invasores tomou vulto, ele apresenta se imediatamente no comando de uma hoste. Por proposta de Beresford foi lhe confiado o comando do regimento de Cavalaria 5, em 3 de Julho de 1809, sendo promovido a coronel a 15 de Novembro desse mesmo ano e a brigadeiro a 5 de Fevereiro de 1812. Como membro integrante e activíssimo da Guerra Peninsular, foi promovido a marechal de campo em 12 de Outubro de 1815, tendo comandado a 5a e 6' Brigadas de Cavalaria. Aderindo incondicionalmente à revolução liberal de 1820, foi designado pela Junta Governativa do Porto para governador de Armas do Minho, de onde seguiu com as tropas para Coimbra, passando por Viseu, onde ficou comandante de todo o Exército. A 10 de Fevereiro de 1822 transitou para o

governo de Armas de Trás os Montes. Depois vem a parte da história mais sensível de sua vida, pois não lhe agradando o andamento dos acontecimentos, aderiu àsublevação do Marquês de Chaves, sofrendo também um exílio forçado em Espanha. A revolta da "Abrilada" abriu lhe de novo as portas da Pátria e de novo pôde reaver as honrarias perdidas. Não se sabe porquê, Gaspar Lacerda não agradou a D. Miguel 1 após uma recepção e o soberano mandou encarcerá lo na Torre de S. Julião da Barra, o que nem por um momento o fez retirar as suas convicções e princípios na Monarquia absoluta. Passou à situação de reforma, no posto de tenente general, em 4 de Janeiro de 1827, mas, por ordem do próprio Rei, voltou ao serviço de que tinha sido exonerado em 22 de Junho de 1828, como governador de Armas de Trás os Montes. Nesta complexa sucessão de acções não podemos ignorar a actuação do Marquês de Chaves, que bem devia ter implorado pelo seu amigo e ex companheiro de exílio. Não se sabe porquê, volta a ser exonerado a 22 de Junho de 1830, ficando como Conselheiro de Guerra. Mas quando D. Miguel I dividiu o país em cinco regiões militares, deu lhe o comando da primeira região, precisamente a do Norte, que combateu denodadamente o exército liberal que ocupou o Porto. Desde 4 de Agosto de 1832 até 26 de Outubro seguinte, não escondeu a ninguém os seus princípios absolutistas e devotou se de alma e coração pela causa de D. Miguel 1, cabendo lhe depois dessa data o governo de Armas da Corte e Província da Estremadura Foi neste último posto que o veio encontrar o Conde de Vila Flor, comandando as tropas liberais, em número muitíssimo inferior ao número estrondoso de homens que Gaspar Lacerda comandava. Mas, em vez de resistir e desbaratar os inimigos, preferiu abandonar a capital na madrugada de 24 de Junho de 1833, entregando se poucos dias depois aos comandos liberais. Eis porque muitos historiadores o apelidam de traidor. Gaspar Lacerda casara a 3 de Agosto de 1795 com D. Maria Antónia de Sousa da Silva Alcoforado e Lancastre, filha herdeira dos 1°' Barões de Vila Pouca, de quem teve vários filhos. O título de Visconde de Peso da Régua foi lhe concedido em duas vidas por D. João VI, por Decreto assinado a 4 de Julho de 1823. Morreu o 1° Visconde em Fevereiro de 1838, um pouco abandonado dos seus velhos amigos, que nunca aceitaram a sua decisão. O estigma foi tão grande, que seu filho Rodrigo de Sousa Teixeira da Silva Alcoforado, reconhecendo a Monarquia liberal, foi 2° Barão, 1° Visconde e 1° Conde de Vila Pouca, nunca se encartando do título de seu pai. O seu sucessor, com o mesmo nome, foi 2° Conde de Vila Pouca, e seu Irmão Gaspar, sucessor de todos os bens por morrer o 2° Conde solteiro e sem geração, foi 3° Conde de Vila Pouca.

Eduardo Proença Mamede

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
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Preço: 30 €