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PEREIRA, Raúl Maria

nasceu em Junho de 1877, em Donelo, Covas do Douro, concelho de Sabrosa. Frequentou a Escola de Belas Artes, do Porto. Viveu algum tempo na Itália e viajou bastante pela Europa para se valorizar. Em 1907 partiu para a América do Sul, chegando a exercer funções do cônsul. Aí casou, falecendo em Lima, em 13 de Janeiro de 1933. Deixou um vasto e rico espólio em pintura, quer no Equador, quer em Portugal, nomeadamente no Porto, no Museu Episcopal. Algum desse espólio encontra se na posse de herdeiros, dos vincondes de S. João da Pesqueira. Dele escreve a G.E.P.B.: as dificuldades de vida e o seu feito de boémio levaram no, de princípio, a ocupar se do retoque de fotografias e em desenhar retratos a "crayon". Pouco depois de concluir o curso, concorreu ao pensionato em Paris, com Acácio Lino, Teixeira da Silva e Constantino Fernandes, da Escola de Lisboa, que foi o preferido. Pouco depois teve a oportunidade de pintar um bom retrato a óleo do conde de Paçô Vieira. As faculdades que nessa obra revelou impressionaram o visconde de S. João da Pesqueira, que generosamente se prontificou a subsidiá lo no estrangeiro. Partiu então para Paris e daí seguiu para Roma, Viena de Áustria, Atenas e Constantinopla, trabalhando sempre. O prof. Joaquim Lopes, num artigo sobre Raúl Maria Pereira, publicado em 1945 na revista portuense Museu, escreve que as suas melhores telas as realizou o artista em Veneza, Florença, Roma e Constantinopla. Algumas delas são verdadeiras obras primas. A luz fina e dourada que envolve as pedras de Veneza, a transparência da água dos seus canais raras vezes têm tido melhor intérprete. Algumas das suas manchas podem, sem desdouro, colocar se ao lado das melhores que, também em Itália, pintaram Marques de Oliveira e o inconfundível Henrique Pousão. Levado pela sua ânsia de viajar e de conhecer novas paisagens, Raúl Maria Pereira atravessou o Atlântico e foi instalar se na República do Equador, onde se dedicou a trabalhar como arquitecto. Passou depois ao Perú e ali casou com a filha do dr. Leguia, antigo presidente daquela república, fixando residência em Lima, onde transformou a sua casa num verdadeiro museu de Arte. Reveses de fortuna da família Leguia atingiram também o pintor português, que morreu pobre. Dele existem no Porto magníficos retratos e belas paisagens, a maioria das quais pertence aos herdeiros dos viscondes de S. João da Pesqueira.

In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30 €