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Senhor e Deus - Exposição no Museu Diocesano
Está patente ao público no Museu Diocesano, até dia 3 de Abril, a exposição "Senhor e Deus" da autoria do fotógrafo José Santos. Trata-se de uma exposição de fotografias exclusivamente de crucifixos, onde através do aturado sentido artístico do autor transparece "a ternura de Deus"; a "cruz das mulheres" que, segundo o autor, é frequentemente mais pesada que a dos homens; a "cruz do homem Jesus e do Jesus Deus", a "cruz da aliança ", que nos faz viajar pela tradição vetero e neo-testamentária; a" nossa cruz ao lado da cruz de Cristo", onde perpassa toda a economia da salvação; "a trindade na cruz", fazendo-nos recordar a teologia de Orígenes que afirma que o Pai sofre na cruz uma paixão de amor; "Cristo ausente ", mergulhando-nos na experiência mística de S. João da Cruz e de Santa Teresa de Ávila.
Mas também a" saída da cruz" e a " glória do crucificado" que nos antecipa a alegria da Ressurreição. Estes são títulos possíveis para alguns dos quadros expostos e pistas para um universo infinito de interpretações possíveis.
Trata-se de um diálogo entre o autor e o crucificado, pela mediação da máquina fotográfica, onde é reproduzido o encontro de Jesus com Tomé após a Ressurreição. José Santos sente-se convidado por Cristo a pôr as mãos nas chagas e a meter os dedos nas feridas do ressuscitado que se apresenta ao apóstolo com as marcas da paixão, as mãos e os dedos são a máquina fotográfica, os flashes e as lentes; o resultado é a confissão de S. Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!" que sintetizada dá o nome à exposição.
No dia da inauguração da exposição, José Santos, começou a explicação das suas fotografias com uma pequena oração invocando a Trindade e afirmando de imediato: "agora a sala está cheia porque quando nos reunimos em nome de Deus, ele está no meio de nós!". Foi uma verdadeira manifestação de fé em crescendo que esteve presente à medida que ia explicando como chegou ao resultado de cada quadro exposto com o entusiasmo de alguém que tocou o mistério.
E é de mistério que trata esta exposição, do mistério pascal de Jesus Cristo que por nós homens e para nossa salvação desceu dos céus e se fez homem para "poder morrer", na feliz expressão de S. Agostinho, expressando na sua entrega na cruz que não "há maior prova de amor do que dar a vida por quem se ama".
A Casa do Poço, agora transformada em Museu e Arquivo Diocesano, pretende ser a catedral da memória, da cultura e da fé, da cidade e da diocese. Ao longo dos séculos a Igreja sempre dialogou com os homens da cultura e os artistas, numa tradição que deu vida a obras-primas imortais que contribuíram para o enriquecimento da própria arte, da comunidade dos crentes e da humanidade inteira. É este diálogo com a cultura e a arte que queremos continuar para que estas sejam veículo de expressão da fé e esta fonte inspiradora daquelas.
A cidade de Lamego é conhecida pela profundidade com que vive o tempo da Quaresma e nomeadamente a Semana Santa com a visita às igrejas e capelas e as procissões que arrastam multidões. Esta exposição irmana bem com o que esta tradição tem de melhor. É assim uma oportunidade de recolhimento, um subsídio único para vivermos este tempo de Graça. Note na sua agenda e faça da sua passagem pelo museu diocesano uma "estação" obrigatória nesta Quaresma.
Por Pe João Carlos Morgado