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OS PASSOS DIFÍCEIS DE COELHO
(Já ninguém tem dúvidas de que Passos Coelho é o candidato que está melhor preparado, que tem mais carisma, e que reúne todas as condições para chefiar o PSD e defrontar, cara a cara, José Sócrates.
Só algumas concelhias transmontanas, a troco não sei bem de quê, insistem em lhe fazer guerra e em apoiar Rangel, chegado à pressa de Bruxelas para "salvar" a baronagem do partido.
A região não pode desbaratar a oportunidade de ter, talvez, pela primeira vez na História, um Primeiro-Ministro genuinamente transmontano, com raízes sólidas e responsabilidades para com a sua terra que, estou certo, não esquecerá)O país está num lamaçal de suspeitas, corrupção, má gestão, compadrio, e em vésperas de entrar num clima de convulsão social. Deixem começar a aparecer os resultados deste PEC, a nível fiscal e do aumento do desemprego, e verão se tenho ou não razão. Torna-se necessária uma alternativa ao poder instalado. O PS tem-se passeado pelo palco do Poder com uma impunidade eleitoral que não o penaliza pela péssima forma como está a levar o país ao fundo poço. E essa impunidade deve-se ao facto de a Oposição não ser consistente nem estar centrada numa figura que se possa medir com Sócrates frente a frente, e derrotá-lo. O PSD tem-se esfrangalhado em questiúnculas internas, tem andado refém de barões bem instalados na vida (graças à política) e que tudo têm feito para que o próprio partido não avance, preferindo vender a alma ao diabo desde que o diabo lhes garanta a continuidade dos tachos que usufruem. A estratégia desses barões, de enfraquecer o PSD, elegendo para chefiar o Partido quem não tem carisma e é incapaz de ganhar umas legislativas, tem vingado. E tudo farão para que continue a vingar.
Contudo, apareceu-lhes uma pedra no sapato. Daqui mesmo, deste longínquo canto transmontano, onde se diz que a voz de três doutores não chega a Lisboa, apareceu alguém, inteligente, jovem, com bom discurso, com ideias novas, falando com segurança, sabendo o que quer, respeitando tudo e todos, com sobriedade e uma clareza que está a cativar os portugueses. Tudo isto, fruto de anos de experiência política, e muito especialmente dum trabalho árduo de dois anos onde se preparou irrepreensivelmente para ser um futuro Primeiro-Ministro. Chama-se Passos Coelho e é, neste momento, a esperança de que o PSD readquira a notoriedade que perdeu e reconquiste a confiança dos eleitores. Passos Coelho tem sido rigoroso, diplomata, transparente, seguro, e está em vias de pôr o PS em alvoroço.
Até aqui, nada disto me espanta. E o PS tudo fará para o denegrir, para o rebaixar, aproveitando, inclusive, as "deixas" que os amigalhaços que mantém no PSD lhe vão dando, porque no derrube de Passos Coelho anda não só o PS empenhado, como também os duques e condes do PSD.
Passos Coelho também sabe disto, e para quem segue a política com olhinhos abertos, nada do que falei é novidade.
Agora o que me espanta é o triste papel de algumas concelhias transmontanas, que andam para aí a guerrear Passos Coelho, fazendo propaganda aos candidatos que nada têm a ver com a região. Falo de Paulo Rangel, que foi recrutado à pressa pela elite lisboeta, quando esta se apercebeu que o "perigo" de Passos Coelho ser o novo líder do partido, podia ser uma realidade. E vai daí, o Sr. deputado europeu veio a correr de Bruxelas, baixou a cerviz à baronagem e prestou-se a este triste papel de mentir aos portugueses: afinal, elegeram-me para a Europa, mas o que eu quero é ser Primeiro-Ministro!
Já nenhum comentador político, da esquerda à direita, tem dúvidas de que Passos Coelho é o único capaz de bater Sócrates. É unânime a opinião de que está bem preparado, se tem comportado com um elevado sentido de Estado, que tem todas as condições para ser carismático, para cativar o leitorado, para se impor. Por outro lado, e no que nos toca como transmontanos, pela primeira vez temos a oportunidade de eleger um conterrâneo que tem, efectivamente, ligações umbilicais e de responsabilidade para com a região.
Durão Barroso nasceu em Lisboa e viveu sempre em Lisboa, e a Trás-os-Montes só o ligavam as origens da família (Valpaços), e o facto de os pais terem casado na Régua.
Sócrates, é natural de Miragaia, Porto, e foi registado em Alijó porque os pais eram de lá. Mas foi com oito meses viver para a Covilhã. Quer um quer outro, nunca souberam bem onde ficava Trás-os-Montes.
Passos Coelho, não. É de cá, foi criado cá, tem raízes profundas cá. E os transmontanos, que têm agora a oportunidade de ter alguém que até poderá ser Primeiro-Ministro, e a quem terão (tenho a certeza) acesso privilegiado, e que nunca se esquecerá da terra onde nasceu e se criou, querem desbaratar esta oportunidade só porque há por aí uns políticos sociais-democratas que pensam mais com a barriga do que com a cabeça.
Triste figura, a das concelhias do PSD que andam para aí a reboque dos interesses de alguns maiorais que os usam como eu uso sabonete. E não me venham falar que cada um é livre de escolher quem quer. É livre sim senhor, mas quando se trata da estrutura interna de um partido, há valores mais altos que se sobrepõem a um mero gosto ou tendência pessoal. A questão que se põe ao PSD, a nível nacional, é só esta: ou muda para melhor e solidifica, ou se extingue. Passos Coelho é a mudança e a solidificação. Rangel é a continuidade e a dissolução. A outra questão que se põe, desta vez ao PSD transmontano, é a seguinte: ou tem como líder da Oposição, e talvez Primeiro-Ministro, alguém que terá sempre a porta aberta aos seus conterrâneos, ou continuará a mendigar esmolas sentado na sala de espera dos Ministérios.
Passos Coelho tem uma dura luta pela frente. Tem, não só que derrotar Rangel, mas também toda a máquina infernal que a elite social-democrata instalada montou para o derrubar. Depois, caso vença, terá que se impor, pela segunda vez, dentro do Partido. A seguir, terá que o preparar para Governar. Mais tarde, terá que derrotar Sócrates. Passos Coelho tem uma tarefa imensa e penosa pela frente. Triste seria se os seus problemas começassem na sua própria terra. Triste e vergonhoso.
Senhores militantes transmontanos e durienses do PSD, pensem bem em quem vão votar no dia 28. Lembrem-se, pelo menos, da terra em que nasceram.

Nota 1: Não falei aqui do Dr. Aguiar Branco, que me merece toda a estima e a quem reconheço competência. Contudo, falta-lhe o tal carisma de líder. Só espero que o Dr. Aguiar, não desista da sua candidatura a favor de Rangel. Se o fizer, então, terei que rever a minha estima.

Nota 2: Esta crónica foi escrita em 18 de Março, respeitando o quadro eleitoral desta data e ainda sem saber os resultados eleitorais.

Por Francisco Gouveia 
gouveiafrancisco@hotmail.com