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26 Out.2007 - No Douro, porque não o I Congresso da Imprensa Regional ?
Não será a Região mais qualificada para o efeito?
As Furnas, na ilha de S. Miguel, nos Açores, foram o cenário, e muito bem, escolhido para a realização do I Congresso Internacional da Imprensa Não-Diária, que decorreu entre os dias 12 e 14 de Outubro e que contou com a presença de alguns vultos de renome na área do Jornalismo, bem como do Secretário Regional da Presidência, Vasco Cordeiro, o Presidente do Governo dos Açores, Carlos César, e do Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, e que ficou essencialmente marcado pela visão deste último, na qualidade de Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, realçando uma condição mais que pertinente para a Imprensa Regional: a sua Certificação.
João Palmeiro aproveitou a oportunidade para lançar um «grito de alerta» para o muito que ainda há a fazer, discutir e pugnar para que o Jornalismo seja entendido como uma realidade séria, de mútua colaboração, competitivo enquanto actividade empresarial, sendo que jamais se pode continuar a assistir à evidente tentativa de "asfixia legislativa com que o Governo de José Sócrates tem procurado enquadrar o sector da Comunicação Social", enviando um claro recado ao Presidente da República, Cavaco Silva, na expectativa – que se espera – do Veto Presidencial àquilo que querem que seja o novo Estatuto do Jornalista. João Palmeiro foi mesmo mais longe, acusando o Governo Português de ir "ao arrepio das tendências europeias para menor regulação, melhor regulação e regulação mais leve para o sector dos media, com o favorecimento da auto-regulação".
Quanto à questão do porquê de um Congresso da Imprensa Regional num Congresso dos Açores, Walter Duarte explicou a escolha, dizendo que os Açores "fazem parte da história da Imprensa regional, quer pela antiguidade e pioneirismo", quer pelo papel destas em relação à forma como as Comunidades Norte-Americanas e Canadianas vêem Portugal e, finalmente, porque "são um acervo documental da História de Portugal dos dois últimos séculos".
No que concerne ao caminho que a Imprensa Regional deve trilhar, considera que, se atentarmos na Europa, nas publicações ou jornais com maior tiragem, verificamos que os mesmos se inserem no conceito do que chamamos "Imprensa Regional".
Relativamente às estatísticas de tiragem da Imprensa Regional Não-Diária, chama a atenção para o facto de termos de ponderar o que a experiência e o mercado nos mostram, sublinhando e apontando um factor crucial de sobrevivência que será necessário concretizar, se os jornais quiserem fortalecer-se: "os jornais regionais portugueses têm de cooperar entre si, para obter maiores investimentos publicitários e melhores sistemas de distribuição e, sobretudo, têm que procurar uma periodicidade mais adequada aos hábitos de leitura". Repare-se bem: cooperação para maiores lucros publicitários; cooperação para inter-ajuda na distribuição; cooperação no sentido de, por exemplo, os jornais se tornarem Quinzenários, saindo intercalados ou, se na condição de Semanários, não saírem no mesmo dia, tentando distanciar-se, beneficiando (até) da condição temporal das notícias.
Assim, nesta linha de ideias, é essencial que estejamos mentalizados para o facto de as publicações não diárias serem, essencialmente, Revistas e ter a noção de que os Jornais – mesmo os semanários - quando saem têm de ser com características de «Diários» "na sua forma e conteúdo". salienta, assim, o facto de um Jornal, mesmo tratando-se de um Semanário, ter que ser entendido e que se comporta como "um diário no dia em que sai".
O Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa lançou um olhar preocupante para um sector em que a "Imprensa, como actividade económica, foi ficando para trás... o Investimento industrial, indispensável à modernidade dos produtos não foi feito", considerando também por isso, que os Jornais Regionais se devem unir na concertação de interesses e estratégias e que as empresas os devem ver como importantes aliados, enquanto veículos de comunicação.
Valorizou a dimensão do Jornalismo de proximidade na Imprensa Regional e referiu, mesmo, que essa é a singularidade que caracteriza a imprensa regional, seja através dos jornais regionais, seja nas revistas técnico-profissionais. No entender do Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, "o Jornalismo de proximidade é o único capaz de ajudar os cidadãos a se integrarem e a compreenderem os impactos directos nos seus ambientes envolventes".
Quanto às questões que estão na berlinda do dia e que tantas vezes fazem extremar posições, nas Redacções dos Jornais, opondo os Jornalistas – que olham para a forma como trabalham, em que condições, com que rentabilidade(s), o que escrevem e como escrevem, satisfeitos ou contrariados – e os chefes que, além disso, também contabilizam as despesas do que custou publicar determinado artigo e qual a rentabilidade, divulgação ou impacto que o mesmo artigo teve, João Palmeiro quando confrontado com "o Jornalismo que vende" versus "o jornalismo pelo jornalismo" ou, ainda, o jornalismo de causas, analisa a questão de forma multifacetada, não relegando nenhuma das duas hierarquias, isto é, não desvaloriza o trabalho dos jornalistas (empregados), nem atribui máxima razão às chefias. No entanto, na qualidade de empresário – porque não podemos esquecer que os Jornais são, primeiro que tudo, empresas e as empresas, enquanto tal, têm de gerar lucro, a verdade é que, Palmeiro entende que "não podemos fazer jornais sem jornalistas, mas também não é possível fazer jornais que não vendem", sendo que, na sua opinião, estas questões são a face de uma mesma moeda, onde só é possível uma coexistência saudável se existir equilíbrio. O problema, segundo João Palmeiro, surge quando "uma delas se torna mais importante". Quanto à questão do "jornalismo de causas", o Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa considera pertinente destacar o ponto que confere relevo a esse "género" jornalístico, sendo que se torna importante por permitir "apresentar de uma forma mais compreensível e adaptada aos interesses dos seus leitores e, por isso, ganhar interesse ou a sua adesão".
Muitas outras foram as questões postas e equacionadas durante o Congresso sendo certo que muito embora a Imprensa Regional atravesse um período mau, depressa e até com o passar da crise económica vingente virão melhores dias...
Uma coisa parece ser certa o futuro, na minha óptica, passa pela imprensa gratuíta com um papel importante a desempenhar a nível nacional, mas nunca a nível regional...cujos assinantes são preponderantes.Próximamente publicaremos as conclusões.