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26 Out.2007 - Máquinas que substituem o Homem
Máquina vindimou, com eficácia,pelo segundo ano consecutivo, no Douro
Nos dias que correm, não são apenas os computadores que substituem o trabalho de dezenas de pessoas, de forma mais eficaz e tanto (ou mais) eficiente. A prova de que o Homem está a ser substituído por máquinas robotizadas que, apenas, necessitam do comando de um único ser também se constata na labuta das vindimas. Algo que até há bem poucos anos seria impensável devido a uma série de factores, tais como, a densidade das vinhas, a falta da adaptabilidade das mesmas à mecanização, o relevo acentuado e a pouca industrialização da agricultura, verificou-se como se de uma procedimento corrente se tratasse: uma gigantesca máquina de vindimar, designada de Barrere, vindimou no Douro, tendo substituído cerca de setenta vindimadores no trabalho do corte de uvas pelas mãos humanas.

A dita máquina de vindimar, conhecida por Barrere, é uma máquina de grandes dimensões e esteve ao serviço da Real Companhia Velha, pelo segundo ano consecutivo, tendo vindimado na Quinta Casal da Granja, no planalto de Alijó, em pleno coração do Douro.
A "máquina de vindimar" impõe-se como uma solução que, pelo menos à primeira vista, parece viável na vinhas dita «mecanizadas» já que o seu custo de operacionalidade é inferior ao da tradicional mão-de-obra, além de conseguir conciliar outra dupla vantagem: um único operador da máquina vindima o mesmo que cerca de setenta Homens e de uma forma mais rápida, o que, feitas as contas, acaba por se traduzir em vantagem ao nível da redução dos gastos com o pessoal.
A Barrere – máquina de elevada estrutura -passa por cima das videiras de forma a que os batedores (uns tubos de plástico colocados nas partes laterais) façam cair os bagos, transportando-os, depois, à parte superior da mesma, onde o lixo é separado das uvas e estas depositadas numa espécie de tambores, que são despejados nas carrinhas e nos tractores.
Aos poucos, também no Douro, a maquinaria vai substituindo o incansável trabalho do Homem!
Só esperamos que estas alterações não obriguem a mudar o ritual do Missal Romano: "fruto da videira e do trabalho do Homem" para "fruto da videira e do trabalho das máquinas", instrumentalizando um dos mais antigos rituais de que há memória...