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... da noite do Porto á escuridão do eterno! Foi-se ou mandaram-no... ?
Condutor que morreu ao volante de um ferrari era informador da PJ
O condutor que morreu carbonizado ao volante de um Ferrari, na transacta segunda-feira, em plena A4, era um informador da Polícia Judiciária e, ao que parece, colaborou nas investigações sobre a criminalidade associada à noite do Porto.
Sabe-se que as primeiras informações sobre o sinistro, relatadas pela Brigada de Trânsito da Maia, indicavam a impossibilidade de identificação do condutor. No entanto, mais tarde, (com recurso à ficha dentária) foi identificado no Instituto de Medicina Legal como dono de um stand no Porto (Finicar), Carlos Filipe, com cerca de 30 anos de idade.
As autoridades referiam também não ser possível indicar uma causa para o acidente, uma vez que “pode ter sido excesso de velocidade mas também uma falha do automóvel ou outro motivo”.
O condutor que agora morreu já tinha sido notícia em Dezembro de 2007. Na época, o Tribunal de Instrução Criminal do Porto decretou a prisão preventiva para o alegado líder do gangue da Ribeira, Bruno Pidá, e mais três detidos no âmbito da Operação Noite Branca. Nessa altura, a companheira de Bruno Pidá, Telma Sequeira, acusou “um inspector da PJ”, que nomeou, de ter tentado “forjar provas” contra Pidá.

Telma Sequeira terá dito que recebeu, três meses antes, na caixa do correio, um saco de plástico que tinha um telemóvel, onde encontrou uma mensagem de texto (sms), que atribuiu a um inspector da Polícia Judiciária, pedindo a “uma pessoa chamada Carlos”, que disse não conhecer, para arranjar “uns chavalos [rapazes] de Valbom”, Gondomar, Telma Sequeira terá dito que recebeu, três meses antes, na caixa do correio, um saco de plástico que tinha um telemóvel, onde encontrou uma mensagem de texto (sms), que atribuiu a um inspector da Polícia Judiciária, pedindo a “uma pessoa chamada Carlos”, que disse não conhecer, para arranjar “uns chavalos [rapazes] de Valbom”, Gondomar,para testemunharem contra Pidá. O telemóvel que continha essa mensagem já terá sido entregue à procuradora Helena Fazenda.
Ora, ao que tudo indica, o homem a que se referia era Carlos Filipe, dono do stand Finicar, informador da Polícia Judiciária e precisamente a mesma pessoa que morreu ao volante de um Ferrari, na A4.
De acordo com a Brigada de Trânsito, o acidente terá acontecido por volta das 05:31 horas da madrugada de segunda-feira, no sentido Porto-Amarante, junto à área de Águas Santas, “numa recta”, tendo a viatura ficado “completamente destruída, pois incendiou-se após o despiste, deixando marcas de travagem na estrada”. A BT da GNR está a investigar as possíveis causas. O carro também terá andado a bater de um lado para o outro nos rails da A4. Além de suposto informador da PJ, Carlos Almeida já havia sido investigado por suspeita de ligações a negócios de tráfico de droga e foi, também, arguido num processo por alegada burla em aquisições de automóveis.
Os destroços do Ferrari 360 Modena, de 2003, foram já transportados para as instalações da PJ do Porto. Durante a manhã de 04 de Março, os especialistas da PJ e da BT estiveram a realizar peritagens.