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13 de junho de 2011 – Dia de Sto. António
Museu do Pão homenageia lenda dos Pães de Sto. António
A 13 de junho celebra-se o Dia de Sto. António, figura católica que se encontra muito relacionada com a história e as tradições do pão em Portugal. O Museu do Pão, que estuda o património do pão português, pretende preservar e homenagear a tradição do "Pãozinho de Santo António", fazendo recolha in loco de imagens do ritual, incluindo a conceção, bênção e distribuição do pão, e relembrando a lenda dos "Pães de Sto. António". Dois episódios se encontram na origem desta lenda: um deles conta que Santo António, comovido com a situação dos pobres, distribuiu entre eles todo o pão do convento. Na hora da refeição, o frade padeiro, desesperado por não ter sequer um pão para alimentar os confrades, veio contar a António que o pão tinha desaparecido, mas este pediu-lhe para verificar mais atentamente no cesto.Ao fazê-lo, verificou que os cestos estavam tão cheios de pão que puderam saciar os frades e todos os mendigos.
Ainda hoje muitas paróquias e padarias homenageiam o Santo, perpetuando a história e produzindo pães (normalmente metade do tamanho de um papo-seco comum) para distribuir. Estes pães são abençoados pelos padres das paróquias locais e oferecidos aos cidadãos. Em Lisboa, a tradição mantém-se na paróquia de Sto. António, onde ainda se oferecem estes pães, pedindo uma esmola a quem os recebe e doando esse valor ao orfanato que produziu os pães.
De seguida é efetuado um ritual que tem lugar em todas as alturas do ano em que o pão é abençoado: o pão recebido é guardado num pano de linho, e junto a ele as pessoas colocam o que não querem que lhes falte durante o ano, como o "pão nosso de cada dia": uma pitada de sal (sabor), uma gota de azeite no pano (luz), uma espiga de trigo ("pão nosso de cada dia"), uma folha de oliveira (paz), uma folha de videira (alegria), uma papoila (amor), uma arruda (proteção), um malmequer branco (prata) e um malmequer amarelo (ouro).
A curiosidade mais relevante neste caso, é o facto de não existir explicação científica para o facto de o pão abençoado não se estragar, isto é, o pão é guardado e não fica com bolor, apenas seca. Assim, o objetivo de quem recebe este pão abençoado, é guardá-lo e comê-lo passado um ano, demolhado em leite, água ou chá.