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Dia Nacional da Luta Contra a Dor assinala-se a 19 de Outubro
Dor crónica tem de ser uma prioridade em Portugal
A dor crónica é um problema de grande magnitude, devido à elevada prevalência (cerca 30 por cento da população portuguesa), impacto individual, social e económico.
Caracteriza-se como uma dor persistente ou recorrente, de duração igual ou superior a três meses e/ou que persiste para além da cura da lesão que lhe deu origem. A osteoartrose, lombalgia crónica e artrite reumatóide são as causas mais frequentes de dor crónica.
Se a dor não for adequadamente tratada, a qualidade de vida das pessoas poderão ser gravemente afetadas, impossibiltando ou dificultando a execução das tarefas da vida diária, conduzindo ao seu isolamento social e familiar, ao "presencismo", inaptidão ou incapacidade para o trabalho.
Na dor crónica, as repercussões de natureza económica são muito elevadas constituindo os custos diretos e indiretos da dor não tratada cerca de 2,2 % - 2,8 % do P.I.B. nos países industrializados. Estima-se que o custo anual da dor crónica em Portugal será superior a 3 mil milhões de euros.
A inexistência formal de uma rede de referenciação, as deficiências de formação e a escassez dos profissionais de saúde com capacitação nesta área do conhecimento científico, a que acresce uma menor sensibilidade de alguns decisores e a resignação das pessoas em relação ao fenómeno da dor poderão contribuir para a elevada prevalência da dor crónica em Portugal, e não são facilitadores na melhoria da acessibilidade ao tratamento da Dor.
Outra questão que limita ou dificulta o adequado tratamento da dor são os mitos associados à prescrição de opióides pelos profissionais de saúde, ou pelos pacientes, o que coloca Portugal num dos países da Europa com maior resistência à utilização destes fármacos. O tratamento atual da dor crónica baseia-se numa abordagem holística e multidisciplinar, de âmbito biopsicossocial.
É urgente, por isso, alcançar o reconhecimento da dor crónica, essa "epidemia silenciosa" que afecta mais de três milhões de portugueses, como uma "doença" grave e debilitante, junto dos decisores políticos e institucionais, dos profissionais de saúde, e da população em geral.
A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) tem promovido múltiplas iniciativas, por todo o país, de forma a reforçar a mensagem de que a dor não é uma fatalidade e que o tratamento da dor é um direito dos cidadãs e um dever dos profissionais de saúde. De 15 a 19 de Outubro, a APED assinala a Semana Europeia de Luta Contra a Dor, e a 19 de Outubro o Dia Nacional de Luta Contra a Dor.

Artigo de opinião_ Duarte Correia_ Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor