dodouro press

O Semanário mais antigo da Região Demarcada do Douro - Notícias do Douro - fundado em 1934, acaba de comemorar o seu 74º Aniversário. Executivo da Régua em Sessão do passado dia 25 de Junho decidiu, por unânimidade, deferir o pedido da digitalização do espólio do ND para inserção nos sites www.dodouro.com e/ou www.dodouropress.pt e/ou outros pertença da DoDouro PRESS/Net e apenas consulta na Biblioteca Municipal, sendo certo que a reboque o mesmo vai acontecer com outros jornais ou revistas.Muitas e várias manifestações de apreço inseridas no número desta semana, tal como na semana passada, com 60 páginas. A partir do dia 27, sexta-feira, pode, querendo consultá-las neste site ou no site do Jornal www.dodouro.com

Como por exemplo :
Que me perdoem os meus caríssimos colegas da imprensa regional mas, com o devido respeito pelos demais, o Notícias do Douro é um Jornal diferente. Se o Douro tem voz, esta está neste Notícias. História de lutas, disputas acesas, sempre em defesa da verdade, contra aqueles que sempre tiveram o Douro como naco a tragar. E o Douro, como região agrícola mais importante do país e mais conhecida no mundo, é um naco tentador, quer para os de fora (quiçá os menos perigosos), quer para os de dentro, os tais falsos amigos desta terra que dela não mais querem senão a garantia de o poder explorar.
Incómodo, sei de muita gente que treme quando, à quinta-feira, abre este jornal. Consciências pesadas, acho eu, que não é missão deste semanário fazer mal a ninguém. Mas o certo é que a tradição do que por aqui se escreve, impõe que, por vezes, as coisas tenham que ser ditas. É o mundo, a política, os interesses, que são violentos. E quando assim são, como podem ser os retratos que deles aqui fazemos?
O Douro está em mudança. Não sei se para melhor, se para pior. Assustam-me certas eminências que por cá estão a passar com um olho na paisagem, outro no lucro. Assustam-me as promessas de quem manda, porque quase sempre manda mal e, mal a gente se distrai um fósforo, aí estão eles encavalitados no Douro tentando domá-lo à medida do seu trote. E magoa-me que uma terra que foi construída à força de braço, de sacrifício, por gerações de gente pobre que pobre morreu, seja agora o petisco apetecido de quem nunca cá plantou uma erva. É a injustiça do mundo, ancestral: hão-de alguns trabalhar para que outros gozem. E este espírito de defender as raízes do Douro, e aqueles que ainda são capazes de lutar pela glória da terra-mãe sem esperar que esta os carregue de mordomias, continua a pautar as páginas hirsutas do Notícias do Douro.
Muitas vezes me pergunto: que seria deste Douro sem o seu guardião? Porque, quer queiram quer não, o ND é o guardião do muito que resiste no Douro. Nunca se fez a experiência, e oxalá nunca se faça, de acontecer a este Douro a mudez do Notícias do Douro. Como seria? Que aconteceria?
Não sei, mas sei que algo seria diferente, que um estranho vazio havia de invadir o Vale como um silêncio amordaçado, garganta que quer gritar e donde não sai um ai!
O Douro precisa tanto do Notícias do Douro, como o Notícias do Douro não teria razão de existência sem ele. Um e outro são como que almas gémeas, inseparáveis. E os anos por que têm passado juntos, as vicissitudes que têm ambos enfrentado, têm dado ao ND a força necessária para prosseguir. Hoje como ontem, amanhã como hoje, na defesa intransigente dos valores maiores que faz desta terra uma terra de excepção, o Notícias do Douro prosseguirá o seu caminho de busca da verdade, de defesa deste património que outros nos deixaram para cuidar.
Assim terá que ser.
Neste aniversário, ao seu director, pessoal administrativo, colaboradores e, muito especialmente, aos leitores que semanalmente não nos dispensam, os meus penhorados votos de Feliz Aniversário. Pelo Engº Francisco Gouveia