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A majestática EDP e as questões da cidadania
Recebi, há dias, uma excelente lição de cidadania, tal e qual como eu a entendo, e que me foi revelada por um cidadão consumidor dos serviços da EDP. Esta lição não diz respeito só aos cidadãos, mas também aos intolerantes procedimentos desta empresa, que impõe aos seus clientes regras inaceitáveis, com autoritarismo, sem considerar os comportamentos dos que dela se utilizam e que só por exceção deixam de ser os corretos. Porém, é evidente que as empresas estratégicas fornecedoras de serviços aos cidadãos têm de estabelecer as grandes regras de comportamento destes, como forma de garantirem a qualidade dos serviços que prestam, o que nunca pode ser omitido. Postas estas aligeiradas considerações,, entremos nos factos concretos, que vamos relatar:

1 – Determinado consumidor de energia elétrica de Coimbra mudou de residência no primeiro dia do mês de Março do corrente ano. Embora tenha tentado fazer a comunicação devida da mudança de residência à EDP, servindo-se, do telefone, uma funcionária desta empresa não aceitou a baixa do fornecimento, mais informando que era necessário que a cessação do contrato fosse feita com a presença física do consumidor num dos departamentos da EDP. Nesta oportunidade, o cliente informou que, sendo ele nonagenário, tinha muitas dificuldades em deslocar-se, mas que poderia dar todos os dados que fossem exigidos pela empresa, através do telefone. Este esclarecimento, porém, não foi atendido.

2 – Numa segunda oportunidade, tentou o cliente conseguir a cessação do contrato de fornecimento de energia, ainda e mais uma vez, recorrendo ao telefone, mas com a mesma falta de êxito.

3 – Passados vários dias, tornou o cliente a tentar a mesma solução pelo telefone. Desta vez, foi atendido por um funcionário masculino, que, depois de ter tomado conhecimento da sua avançada idade, o informou que ia dar baixa do contrato, embora excecionalmente, tendo para isso colhido todos os elementos que entendeu. Ficou, com este atendimento, o cliente convencido de que tinha a situação regularizada com a EDP.

4 – Eis, senão quando, surge ao consumidor mais uma outra fatura, com data de 02-08-2012, no valor de 115,95, atingindo a leitura dos consumos o total de 48187 unidades, pelos fornecimentos de 2 deJJunho a 2 de Agosto.

5 – Surpreendido, o consumidor viu-se obrigado a pedir a pessoa amiga que se disponibilizasse para o acompanhar à loja do cidadão de Coimbra, quando para isso tivesse disponibilidade, para, mais uma vez, tentar resolver a complicada situação que estava criada.

6 – Quando foi possível, pôde, então, o consumidor contactar uma funcionária da EDP, na loja do cidadão, que, igualmente, repetiu as exigências dos outros seus colegas de profissão, mas acrescentando-lhe uma outra, qual era a de lhe apresentar os números da contagem do dia corrente. Argumentou-lhe o cliente que não teria grandes probabilidades de lhe apresentar esta leitura, porquanto teria de encontrar primeiramente o senhorio da casa, onde já não habitava há cinco meses, mas que iria tentar resolver a dificuldade, o que com alguma sorte conseguiu com rapidez.

7 – De novo, voltou à loja do cidadão, levando a contagem que lhe fora exigida e que, com alguma surpresa sua, apresentava o consumo de 47170 unidades, ou seja, rigorosamente, menos 1017 unidades, isto é, quando o consumidor ia preparado para pagar 115,95 euros da fatura apresentada, ainda conseguiu ser reembolsado com 47,20 euros…

8 - Já satisfeitas as exigências da EDP e ao fim de vários telefonemas e de muitos incómodos que causou ao amigo que o acompanhou no seu carro e a quem ficou a dever favores, alem de cerca de quatro horas roubadas ao seu tempo de trabalho normal, entendeu o utente dever apresentar à gentil funcionária da EDP que o atendeu uma viva reclamação, evidenciando o verdadeiro desrespeito de que se considerava vítima, por nem sequer ter sido considerada a sua muito avançada idade, submetendo-o a despesas indevidas, considerando todo os os cidadãos como relapsos, apenas para salvaguardar os seus próprios interesses, esquecendo que há sempre que separar o trigo do joio, tudo o levando a classificar o procedimento da EDP como autoritário, quando o que antes deveria fazer seria o de remeter os relapsos para os tribunais, como medida tendendo a ajudar à formação de cidadãos e ao desenvolvimento de uma sociedade mais justa e responsável

9 – Concluindo: - parece-me dever trazer estes incidentes ao ND, porque julgo que, assim, terei denunciado o comodismo de uma majestática EDP, que não é controlada suficientemente pelo poder político, que atua abusivamente, levando muitos cidadãos –mais limitados e submissos – a calarem as insuportáveis exigências que lhes são feitas, e a todos nós igualando pelos níveis mais baixos, como se todos os cidadãos fossem incumpridores dos seus deveres. Tudo isto em defesa da cidadania, para termos um mundo melhor e mais feliz.

Abeilard Vilela