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Après moi le déluge
Quando no poder, acontece surgirem por vezes uns diabretes, que, ofuscados pelas falsas realidades dos sonhos que os dominam nos tempos limitados da sua própria vida ativa, esquecem os interesses reais do povo que deviam servir em primeiro lugar, embora as suas consciências muitas vezes os acusem das tropelias que cometem. "Après moi le déluge" – é uma frase célebre de Luis XV, rei dos franceses de outros tempos – que revela perfeitamente o carater de certos governantes impreparados, circunstância que, neste momento desastroso que o nosso Portugal vai atravessando, me parece dever ser relembrada, talvez porque, assim, poderei contribuir para o despertar da atenção de muitos dos meus concidadãos para as tropelias inadmissíveis do nosso pequeno Luis – que, hoje, nos desgoverna desavergonhadamente, sem que ele próprio tema o seu habitual recurso à mentira soez como medida corrente, não parecendo ter capacidade para avaliar as suas responsabilidades perante o povo que engana, mas que já lhe vai apontando o dedo acusador.
Com efeito, o primeiro-ministro P. Coelho enreda-se desde o primeiro dia da sua governação num programa de mentiras com que tenta anestesiar o povo português, mas que, depois de um ano de administração, já mostrou concretamente, com a constatação dos resultados alcançados, o maior número de desempregados de sempre (quando prometera uma redução drástica do desemprego…); uma quebra inquietante das receitas do Estado (consequência do aumento dos impostos, insuportável); um acentuado desequilíbrio orçamental; a paralisia das atividades produtivas; a implantação consentida e nunca combatida da grande corrupção, de que é vítima principal o próprio Estado; e todos os outros sinais, que são sempre apresentados como marcas de governos anteriores e nunca como marcas do atual governo, a que é acrescentada agora a ideia em divulgação de que os nossos males são uma consequência do males que assaltam os outros países também, ou seja, acima de tudo, males provocados pela conjuntura internacional… A todos estes males, poderíamos ainda ajuntar o tremendo falhanço acontecido com relação ao défice público fixado com a troika, pelo que iremos suportar mais outros sacrifícios, proximamente.
Mas os diabretes que nos desgovernam o País parece que, mesmo assim, estão dispostos a continuar o seu nefasto caminho, com sobranceria inadmissível, para o qual deveremos estar atentos. Com efeito, numa das aulas realizadas na designada Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, um senhor professor de ciências políticas, com muita displicência, divagou sobre os pormenores da governação, aceitando que caísse ainda mais chuva sobre o molhado, sem avaliar dos excessos desta fartura. Recomendou, então – referindo-se a empreendimentos seletivos e reprodutivos – questões como a inovação e outras vacuidades, como se nos bastasse lançar apenas palavras, sem que, no mínimo, referisse o como, o quando, o aonde, e quais os caminhos percorríveis e convenientes, mas sempre esquecendo as provas já antes prestadas pelo seu PSD, durante longos tempos e em vários governos, que se caraterizaram pelo encerramento de indústrias, pelo abandono da agricultura, pela queima insensata de barcos de pesca, ou seja, por desusadas "inovações", nunca antes acontecidas em Portugal, mas que aceleraram a degradação do nosso país.
Referiu, ainda, o mesmo professor a necessidade de desenvolvermos o conhecimento, esquecendo ele os conflitos que continuam sobressaltando as escolas, cortando verbas, ameaçando professores e estudantes, fechando escolas, aumentando propinas, mal definindo programas de ensino, tudo resultando em maus aproveitamentos nas matemáticas, nas ciências, no ensino da nossa língua. Bem o prega Frei Tomaz, mas se bem o diz pior o faz!...
E, ainda, o senhor professor, oriundo do PSD – que eu ouvi perorar grandiloquamente – não se referiu aos problemas reais do povo português, aos problemas da emigração, do desemprego em aumento, ao baixo nível dos salários e a muitos outros problemas, que roubam a esperança ao povo, e que as vãs palavras enganadoras já não conseguem mobilizar.
Também, nesta abertura próxima do novo ano político, depois das férias de alguns e do desassossego de muitos outros, se abalançam os atuais governantes a propagandearem avisos provocatórios sobre a privatização da RTP, expondo desequilibrados argumentos de ocasião, desprezando a lógica nas argumentações, mas patenteando claramente a oferta de muitos e muitos milhões de euros a amigalhaços do coração, euros saídos do bolso do povo português, omitindo o quanto é de inadmissível a entrega dos serviços públicos –nomeadamente os da informação – a privados, porventura a estrangeiros. Isto é, este governo de Portugal está fazendo uma política de classe com absoluta consciência e esquecendo os interesses superiores do povo, que disciplinadamente vai empobrecendo eficando desmoralizado.
Mas… será sempre assim? Quem o pode afirmar?

Abeilard Vilela