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Um ciclo vicioso

Num comunicado via Internet, li o seguinte escrito: «Numa emissão na Fr.Inter, a rádio mais escutada em França, dois conceituados economistas diziam que não compreendiam que dois países, Portugal e a Espanha, que foram os pioneiros da Europa moderna, tivessem agora os governos mais incompetentes e subservientes à finança mundial. Outros, como a Chéquia ou a Eslovénia, mais pobres que nós "hà" trinta anos, captaram os investimentos, "utilisaram-nos" para "modernisar", baixar os impostos e estimular a economia. Em Portugal fizeram-se "auditorios" na serra do Soajo, "autostradas" por vezes "desnecessarias", museus dos apetrechos rurais e outros monumentos "inuteis". Se não fosse tão "dramático", até dava para rir». ( os erros, e nem estão todos assinalados, propositados ou por ignorância, são da autoria de quem emitiu o escrito)!
Não sei, se aqueles conceituados economistas têm acompanhado o modo de conduzir a política em Portugal, (que, se calhar não é caso único), senão, facilmente daí tirariam alguma conclusão e ficariam a saber que para além da eventual incompetência de alguns, para a nossa desgraça, muito terá contribuído também a má vontade de outros, a voracidade de terceiros e a covardia de quartos!
Não sei se foi verdade, ou simples anedota: logo após a faustosamente denominada revolução dos cravos, contava-se que um jornalista estrangeiro terá perguntado a um dos apanha-bolas da dita revolução, o que pensavam os portugueses fazer agora com o fim da ditadura, ao que o interpelado terá respondido: « Para já, pensamos acabar com os ricos»!
O jornalista, segundo reza a história, sorrindo, contrapôs: Bem……no meu País, o que queremos, é acabar com os pobres.
Na verdade, não acabaram com os ricos mas muitos foram acossados, e partiram para outras paragens onde foram bem recebidos, e criaram riqueza. É verdade que muitos voltaram, mas, em nome das amplas liberdades, da criação de uma premeditada libertinagem a termo incerto e duma pseudodemocracia alargada, tudo foi virado do avesso. Muitos ricos se tornaram pobres, muitos pobres enriqueceram e muitos ficaram mais pobres e o próprio País ficou afogado em dívidas e consequentemente o mais pobre da Europa: a incerteza ganhou raízes, os ricos furtam-se a correr riscos e a sustentar o parasitismo latente instalado, não investindo como poderiam, a juventude parte à ventura, já quase ninguém acredita em ninguém, a quitanda foi desarmada e ninguém sabe onde vamos parar e o que o destino nos reserva!
Como já tive ocasião de referir, Salazar dizia que " não se deve aspirar ao poder como um direito, mas sim aceitá-lo e exercê-lo como um dever".
Porém, contrariando a teoria do ditador, como se tem visto, os cargos políticos são conquistados à custa da propaganda que os candidatos fazem de si próprios, usando o mesmo sistema do comerciante que vai à praça vender as batatas, os nabos e os melões, atribuindo-lhes as melhores qualidades; com a exposição da mercadoria, cuidadosamente enfeitada, o pagode, embevecido pelo enfático declamatório dos tribunícios compra, e só mais tarde se apercebe de que foi enganado ou, como soe dizer-se, comprou gato por lebre! Com uma diferença: As leis por eles próprios fabricadas não dão direito a garantia, e nas entrelinhas se subentende que não são aceites devoluções l
Salazar dizia também que o poder só podia agradar aos tolos, pelas vantagens que dele esperam.
Com a queda do Estado Novo, Portugal entrou num ciclo vicioso que parece não ter fim à vista; as questiúnculas partidárias não passam, aparentemente, de fogos-fátuos para enganar e entreter o pagode, que continua a crer em discursos engalanados de venturosas promessas:
Em épocas de eleições, o partido mais votado é convidado a formar governo; durante quatro anos procura fazer obras que dêem nas vistas, sejam úteis ou não, a fim de cativar os votos dos eleitores para um novo mandato. A oposição, durante o mesmo tempo procura denegrir as orientações do governo em exercício, a fim de cativar a simpatia do povo a seu favor.
Passados quatro anos, o episódio repete-se. Se a situação se inverter, mudam-se as moscas mas o monturo fica o mesmo. O mesmo acontece com as autárquicas, com as presidenciais e europeias.
Nas autárquicas existe uma pequena diferença: os munícipes, só procedem à segunda escolha; a primeira escolha é da autoria dos partidos. Estranho, não é?
Mas, mais estranho ainda, é o facto de os partidos políticos fazerem a propaganda para seu próprio interesse, e nõs, cidadãos dum País em apuros e cheio de dívidas, endivida-mo-lo ainda mais, gastando milhões e mais milhões, para lhes pagarmos a propaganda!
Resumindo e concluindo, os nossos iluminados, tolos ou não, discutem o poder pelas vantagens que dele recebem, levam um no saco e outro no papo e, pelo que se vai sabendo, o que se encontra na sombra dos hipotéticos segredos dos deuses!.
Quando no tempo de Salazar se dizia que havia falta de liberdade, o ditador costumava dizer:« O que eles querem, é a liberdade deles»
Afinal, conseguiram-na. Agora, não se queixem das consequências!!
Perdoem-me o arrazoado e algum erro involuntário!

José O. Guerra