dodouro press

Os intocáveis da RTP
Com o anúncio de que a RTP2 vai ser fechada e a RTP1 vendida a uma entidade privada, começou mais um banzé na parada; um banzé, que uns tantos vão trazer à praça num desenho Tsunamico, quando, se calhar, na realidade não passa de uma tempestade num copo de água!
São fogos-fátuos, que os políticos usam para enganar o pagode: os situacionistas de um modo e os oposicionistas do outro, cada um na sua testada vende o peixe como pode, normalmente embrulhado em papel de seda; quem compra, compra com os olhos postos no embrulho, sem ver o que ele encerra, e depois arrependo-se e arrepela-se.
Como seria de esperar, logo os salvadores da Pátria vieram a terreiro contestar a decisão tomada pelo Governo sobre o assunto, porque é um atentado à Constituição, porque ficamos sem serviço público, porque a venda só serve os interesses de alguém, etc. etc.
Do meu ponto de vista, o serviço público da televisão é uma grande treta, que a oposição ao Governo usa como um disfarce para agradar aos que, logicamente contestam a decisão, porque lhes mexem nos bolsos. Quanto à constituição, é uma figura sem rosto, que os políticos aparentemente não conhecem, mas usam conforme o lugar em que se encontram, quando e como lhes convém!
Não sei se o Governo faz bem se faz mal, se a privatização é contra a Constituição se não é, se ficamos sem serviço público ou não; o que em primeiro lugar transparece deste imbróglio, é que o Governo quer acabar com as excessivas injecções de dinheiro para suprir as despesas da RTP E RDP, pagando, (segundo se diz), aos funcionários salários astronómicos sacados aos contribuintes, quando as televisões privadas, fazendo praticamente o mesmo serviço, se governam com os mesmos rendimento que a televisão do Estado tem ao seu dispor; em segundo lugar, porque, parece que ninguém sabe ao certo distinguir o que em televisão é serviço público e o que é serviço privado. Já ouvi muitas vezes fazer esta pergunta, e nunca ouvi ninguém responder para o esclarecer.
E, porque esta leitura não é da minha exclusividade, transcrevo o comentário de um anónimo, que se cognomina de Zé Cãotribuinte:
«O que está aqui em causa, é que a RTP é um enorme sorvedouro de dinheiros públicos não só pelo que recebe a pretexto do tão falado Serviço Público, mas também pela dívida acumulada que tem, isto é, o seu passivo. Antes de mais, não se deve confundir "Serviço Público de Televisão" com "Estação Pública de Televisão".O que é afinal o Serviço Público de Televisão? Quem o define? Com que critérios? Sejamos claros, aqui como em muitas situações ninguém é detentor da verdade. Desde quando é que uma tourada é serviço público? Como é possível uma estação pagar, em tempos de austeridade ordenados "pornográficos" de 20.000eur e 30.000eur por mês a certos apresentadores pseudo-vedetas/jornalistas!?»
Pelo que se presume, o Governo, como não encontra maneira airosa de se desfazer dos barões da RTP, terá recorrido ao que lhes pareceu mais fácil: tirar ao fogo, a lenha que o alimenta! Como diz Marcelo Rebelo de Sousa, nem a administração se quer demitir nem o Governo tem to…tês para a demitir, tendo o professor aludido ao velho ditado: «nem o pai morre, nem a gente almoça»!
Numa das leis da era socrática, nenhum funcionário público, podia ganhar mais do que o primeiro-ministro. Porém, num artigo publicado na Internet, pode ler-se: - « A Comissão de Trabalhadores da RTP criticou …o pedido feito pela administração para que haja excepção ao limite no salário dos administradores, considerando que se tal for aprovado seria "uma vergonha " para o Governo». Parece que as administrações da RTP se estão marimbando para a crise, como se pertencessem a uma classe de intocáveis!
Contudo, e a propósito disso, o articulista escreve ainda: «Numa carta aberta ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a CT (Comissão de Trabalhadores) diz que depois das declarações do governante em Washington sobre a necessidade de uma justa repartição dos sacrifícios, (...) um conselho de administração a receber vencimentos superiores aos do primeiro-ministro seria um escárnio para essas declarações (…) e seria, para o Governo uma vergonha.»
Como podemos constatar, é a própria Comissão de trabalhadores que, embora contestando a falada decisão do Governo, acaba, indirectamente, por lhe dar razão.
A oposição, em geral, continua a acusar o Governo de que os métodos utilizados para resolver a crise que nos afecta estão errados, e é preciso arrepiar caminho. De facto, se depois de tantos sacrifícios a que os últimos governos nos têm obrigado, a situação em vez de melhorar ainda se agrava, por alguma razão é; até parece que o dinheiro que nos têm levado é lançado num saco roto, onde o que entra por cima logo sai por baixo.
O pior cancro que está a arrastar o País para a miséria, é o desemprego, que obriga à diáspora do seu povo, e nos leve os seus melhores filhos.
Como o País, - não obstante os sacrifícios a que nos obrigam - , parece que não anda nem desanda, o líder do PS, senhor António José Seguro, diz que o primeiro-ministro deste Governo, deve dar uma explicação aos portugueses!
Gostei desta! Mas……gostava que fosse mais além! Há por aí inúmeros culpados pela crise a lançar bitaites, que também nunca deram explicações a ninguém nem nunca ninguém lhas pediu, e se alguém lhas pediu, ficou sem resposta!
Para terminar, porque o Sol já vai alto, depois de ter já sido denunciada tanta patifaria a nível político, poderemos perguntar, se Artur Virgílio Alves dos Reis e José Teixeira da Silva, não seriam merecedores de uma estátua (cada um) numa praça de Lisboa? Afinal, apesar de tudo, arriscaram a vida e pagaram pelo que fizeram; há por aí os que não tendo sido melhores, nunca correram riscos e nunca pagaram nada!!!

José O. Guerra