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Portugal a tirar água dum poço quase seco
Como parece que a decisão de privatizar a galinha dos ovos de ouro da RTP continua de pé, os pintos apelam às forças vivas e mortas do País, para que estas ponham juízo na cabeça daqueles que, segundo as suas próprias cabeças, o perderam!
Talvez a propósito de um manifesto promovido pelo realizador de cinema, António Pedro de Vasconcelos e subscrito por várias personalidades, mais ou menos destacadas da sociedade portuguesa, o JN escreve um artigo, divulgado na Internet, com o seguinte cabeçalho: J Sampaio subscreve manifesto contra concessão da RTP.
Em virtude do referido cabeçalho, um comentador, intitulado de "cidadão atento" escreve: «Sampaio e companhia rebentaram com o País e ainda continuam a querer mais do mesmo. Devia estar na pele de milhares de portugueses desesperados e apreensivos quanto ao seu futuro e do País…………….!»
Este comentário levou-me a dar uma volta pelos meus alfarrábios e reparei no semanário TAL & Qual da semana de 19 a 25 de Fevereiro de 1999, onde, logo na primeira página e em letras garrafais, pode ler-se: Soares viajava muito? Sampaio viaja muito mais!!
E justifica: «Nunca um presidente da República viajou tanto em tão pouco tempo. Desde que tomou posse, Jorge Sampaio já visitou 34 países. Nem Soares passeou assim nos seus primeiros três anos no palácio de Belém……»
Relativamente a Mário Soares, num pequeno excerto dum artigo do mesmo semanário, onde Sampaio é cognominado com o epíteto de "Jorge, o Papa-léguas", referindo M Soares pode ler-se: «Na memória fica também a célebre digressão pela África do Sul, e pelas paradisíacas ilhas Seychelles, entre 25 e 28 de Novembro de 1995. Sampaio pode estar certo que, onde quer que vá, muito provavelmente, Soares já lá esteve….»
Certamente, numa espécie de concurso para ver quem seria o vencedor da maratona, tanto um como o outro, procuraram mostrar ao mundo, quem era o mais nobre dos descendentes dos barões, que desta courela ocidental, por mares nunca dantes navegados, deixaram marcas da sua passagem por terras do Oriente, que passaram ainda para além da Taprobana, o Sri Lanka de hoje.
É verdade que o DR. Mário Soares, o Viajante (assim cognominado), embora sem se expor, assim como outros, sempre lutou pela liberdade em Portugal. Porém, parece que a liberdade que pretendia era a sua, e alcançou-a sem mexer uma palha que não fosse a seu favor. Com respeito ao bem-estar do povo, já era outra conversa e continua a pronunciar umas dicas para fazer crer que o que aconteceu não é da sua conta!
Contudo, a nossa desgraça, não pode cair só sobre os ombros dos presidentes citados, nem do fartar vilanagem da RTP, porque muitos outros para tanto contribuíram e agora, para confundir o pagode, são os que mais levantam a voz!
Na primeira página do semanário Tal & Qual, de 31 de Março de 1995, pode ler-se: «ESCANDALO NACIONAL»
«Deputados vão p’ra casa com milhões no bolso»
A pretexto de precisarem de apoio para se reintegrarem na Sociedade quando deixam a política, centenas de deputados receberam balúrdios e muitos deles no dia seguinte já estavam de volta às lides partidárias Nas páginas 2 e 3, está a lista completa dos 212 sacadores de 200.000 contos
Os ditos magníficos são todos de cores e quadrantes diferentes, e é a eles e a outros como eles, a quem o Governo em primeiro lugar deve mandar a factura, e não aos inocentes, que não têm obrigação de sustentar o parasitismo que há muito tempo tomou conta do País e perece que não quer largar o osso.
Talvez impressão minha, Mas, parece-me que o Governo de Passos Coelho está a tentar tirar água dum poço quase seco.
Quanto a um eventual Governo Socialista, pelos discursos fáceis de António José Seguro se vislumbra o seu desenho.

José O. Guerra