dodouro press

E continua a persistir?
Perante a mais que evidente consequência para os portugueses em matéria de cuidados de saúde, expectável consequência das crescentes dificuldades de acesso a todo o tipo de meios médicos, Paulo Macedo vem tentando explicar o inexplicável. Simplesmente, a grande verdade é que os portugueses existem mesmo, sempre mantando contacto uns com os outros, pelo que cada um deles vai contando e vai sabendo de todo este tema, assim deitando por terra a erradíssima explicação do Ministro da Saúde.
A situação, porém, tem o seu quê de ridículo, porque a explicação de Paulo Macedo, se estivesse correta, teria esta consequência: só no setor da Saúde se não refletiriam as terríveis carências causadas à generalidade dos portugueses pela política suicida deste Governo do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.
Pois, acaba agora de saber-se mais um índice, claramente isomorfo do que se passa no setor da Saúde: relativamente ao primeiro semestre do ano de 2011, neste ano de 2012 a CP teve uma perda de cerca de seis milhões de passageiros. Ora, um desses passageiros fui eu mesmo, de parceria com a minha família.
Por ser esta a realidade, este meu Verão de 2012, graças ao Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, tem de ser passado em Lisboa, sem poder deslocar-me a Almeida em transportes públicos. O custo atual é claramente proibitivo, para tal bastando consultar o sítio da CP e adicionar ao montante global, em termos de ida e vinda, dois alugueres de táxi, entre Vilar Formoso e Almeida, estes com um custo global de trinta e seis euros. Convém que o leitor consulte o sítio da CP e faça as contas…
Finalmente, uma referência à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012. Lá se pôde ver um dos grandes fatores do orgulho britânico: o Serviço Nacional de Saúde, criado depois da Segunda Guerra Mundial pelo trabalhista, Clement Attlee. Como é evidente, eles estão fora do euro e vão à frente; nós, como quase desde sempre, na cauda da Europa. E por isso recordo as palavras de João Cravinho, no Jornal das Nove, há já uns anos, salientando que na Inglaterra há ingleses, ao passo que em Portugal há portugueses.
Interrogo-me, pois: será que o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, acompanhou aquela cerimónia da passada sexta-feira, conseguindo concluir o que representa, como fator de superioridade civilizacional, o Serviço Nacional de Saúde, universal e tendencialmente gratuito? Ou continuará a persistir na sua ilógica explicação? É o que viremos a saber.

Hélio B. Lopes, Dr.