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Uma nota cheia de interesse
Em pleno descanso neste quente Agosto que passa, obrigado a ficar em Lisboa graças à política do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, determinei-me a voltar a escrever hoje este texto, acima de tudo, motivado pela leitura da obra, JONAS SAVIMBI – No lado errado da História, de Emídio Fernando, da D. Quixote, que foi uma das lembranças recebidas por via do meu sexagésimo quinto aniversário, e que se constitui numa obra a não perder.
Receando aborrecimentos por via da violação do Direito de Autor, sugiro aos leitores que, caso a não venham a adquirir, a leiam numa biblioteca pública, ou, no mínimo, a consultem na sua página 26, onde se transcreve uma conversa de Salazar com Franco Nogueira, que durou cerca de duas horas, e onde aquele refletiu sobre a proposta que lhe havia sido apresentada por George Ball, então Secretário de Estado dos Estados Unidos.
Em síntese, Salazar disse ao seu Ministro dos Negócios Estrangeiros que tal proposta era uma miragem, porque em troco da independência das províncias ultramarinas os Estados Unidos (supostamente) dar-nos-iam, no primeiro ano, meio milhão de dollars, e, no seguinte, o dobro. E explicou esta realidade objetiva: ao princípio, tudo iria parecer uma maravilha, com umas obras públicas de fachada a dar aos portugueses, mas em pouco tempo acabaria o dinheiro, talvez o ouro, e Portugal ficaria na miséria e na dependência completa do exterior.
Claro que teria de ser assim, só com os papalvos ou os interessados a não conseguirem antever tal realidade. Mas a razão que me levou a escrever este texto, logo que li a transcrição da referida conversa, foi olhar como esta (facílima) previsão de Salazar acabou por vir a ter lugar, já depois da Revolução de 25 de Abril, mormente com a entrada para a Europa, hoje em desmoronamento, onde, a troco da destruição da nossa exígua capacidade produtiva, nos foram dados muitos milhões, acabando hoje, trinta e oito anos depois de Abril, por nos situarmos como um protetorado da Alemanha, já sem real soberania, e, pior ainda, sem futuro.
O mais interessante de tudo isto não é a capacidade de previsão de Salazar, mas, isso sim, a miragem dos mil e um, até do seu tempo – lembremos os meninos de Marcelo –, que acreditavam que Portugal, com as mesmas condições, poderia ser como os melhores. Poderia mesmo ganhar as olimpíadas, ou, até, ir à Lua ou a Marte. Uns, desconheciam completamente a História, outros, esqueciam-se, por querer ou sem o desejar, e outros, ainda, haviam-se enfeudado a capelinhas internacionalistas que, como se sabe agora, valiam nada.
Termino, pois, com esta exortação ao meu caríssimo leitor: procure ler a tal página da obra atrás referida, porque terá de imediato uma reação idêntica à minha. O que ali vai encontrar é um isomorfismo da realidade que acabou por atingir-nos por estes dias e que se perpetuará por décadas. É o preço dos castelos no ar, ou mesmo de interesses escondidos.

Hélio B. Lopes, Dr.