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Voltei
Como costuma dizer-se, cá estou eu de volta às minhas amadas crónicas diárias. Ou, talvez melhor, multi-crónicas, tal é o gosto em escrever, hoje facilmente alimentado pelo volumoso caudal noticioso que o tempo que passa nos traz a cada dia que se vai.
Desta vez, se a memória me não atraiçoa, o facto de não ter deixado Lisboa – o já histórico Prolema do Pilim, introduzido na História Portuguesa por Pedro Passos Coelho – acabou por impedir uma real ausência de escritos meus, acabando por escrever um ou outro, sempre que a circunstância justificava e permitia.
Em essência, li coisas as mais diversas, umas já com algum tempo de atraso, e outras por via de oferta recente, na sequência do meu último aniversário. Mas também pus em dia outras que há muito esperavam pela atenção que se torna difícil conseguir durante o ano letivo, como gosto de referenciar a minha vida. Uma espécie de tempo sabático.
Dos livros recebidos como lembrança de aniversário refiro, JONAS SAVIMBI – No lado errado da História, de Emídio Fernando, da D. Quixote, RELIGIÃO PARA ATEUS, de Alain de Botton, da D. Quixote, D. MARIA II. Tudo por um Reino, de Isabel Stilwell, d’A Esfera dos Livros, A TROYKA E OS 40 LADRÕES, de Santiago Camacho, d’A Esfera dos Livros, OBAMA. Os segredos de uma vitória, de Barry Libert e Rick Faulk, da Centro Atlântico, MY AMERICAN JOURNEY, de Colin Powell, THE KOREAN WAR, de Matthew B. Ridgway e WAR AS I KNEW IT, de George S. Patton, estes três oferecidos pelas minhas meias-irmãs norte-americanas, e que continuam a ser lidos, com o natural custo linguístico.
Mas deitei-me a ler, por igual, HISTÓRIA DOS PAPAS, de Heitor Morais da Silva, S. J., da Luzes e Sombras, já há um bom tempo na minha posse, ECONOMIA DE CRISE, de Nouriel Roubini & Stephen Mihm, da D. Quixote, que tive de recomeçar, depois de o ter já iniciado no passado Verão, em Almeida, MENTIRAS FUNDAMENTAIS DA IGREJA CATÓLICA, de Pepe Rodriguez, da Terramar, também na minha posse há algum tempo e sempre inacabado, e as obras oferecidas por razões de circunstância, de algum modo já conhecidas, TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA, de Voltaire, da Antígona e A ANTROPOLOGIA FACE AOS PROBLEMAS DO MUNDO MODERNO, de Claude Lévy-Strauss, da Temas e Debates e Círculo de Leitores.
Devo dizer que cheguei a sorrir com a circunstância criada, porque fui aproveitando a noite, como tanto gosto, para ler estas obras antes referidas, mas colocando-as em resmas de três ou quatro, rodando-as como se estivessem numa nora. Assim me espraiava até perto das seis ou mais da madrugada, pondo um fim muito razoável no meu tempo de televisão, em geral reduzido ao noticiário das treze e aos alinhamentos da meia-noite.
E mais graça achei ao facto de também ter colocado, juntamente com os livros, dois dicionários essenciais: um de sinónimos de termos ingleses e um de Inglês-Português. Mas só os consultava ao final de cada leitura, após assinalar na página o que poderia estar em causa. Foi uma solução muito adequada e que se mostrou extremamente funcional.
Mas também pus um fim em duas pinturas que estavam por acabar há imenso tempo. Usei, neste caso, o método da assentada, ou seja, levantei-me pela manhã – foi num fim-de-semana –, fui bebendo leite ao longo do dia, com uns cafés tomados na pastelaria que fica a trinta metros da minha casa, e pelas dez e meia da noite as duas pinturas estavam terminadas. Finalmente! Anos à espera de um fim!!
Deitei mãos a três tipos de trabalhos. Por um lado, textos curtos de Matemática, ligados a temas de há muito preparados. Por outro lado, livros sobre certos domínios da Matemática, de há muito terminados, mas que necessitavam de uma revisão global e de mui ligeiras mudanças. E, em terceiro lugar, dei início a três textos fora do domínio anterior, mas de há muito idealizados. Estabeleci metas, mas sempre crendo que as mesmas são meras referências. O problema dos olhos e da barriga…
Por fim, não posso esquecer os dois dias em que tive o privilégio de estar com um notável académico português da grande área da Física, hoje jubilado, meu amigo de há muito mas bem mais velho, tal como eu também sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Física, e com quem estabeleci a seguinte regra: eu expunha-lhe o que vai pelo Mundo e o correspondente devir, e ele mostrava-me o que vai pela Física e o que se pode vir a esperar. Terminámos, no almoço que antecedeu a tarde da despedida, a falar de espionagem e de secretas, domínio que nos une há décadas. E deitámos mão de um método de há muito pelos dois praticado: pôr em causa o estabelecido e ir tirando conclusões. Agora, só para o ano… Talvez em Almeida, como aconteceu no ano passado.
E já agora, ainda li dois outros livros, pequenos mas muitíssimo bons, escritos por dois políticos muito eminentes, mas sobre os quais falarei num outro escrito. De resto, como também farei com a biografia de Jonas Savimbi, de Emídio Fernando, e a que fiz referência um pouco atrás.
Em resumo: voltei. Ainda assim, tentarei estabelecer uma transição lenta para a minha vida corrente, procurando aproveitar, tanto quanto possível, o mês de Setembro. Veremos se virei a ter êxito com esta minha metodologia. Sonhar, como se sabe, é fácil.

Hélio B. Lopes, Dr.