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Augusto Monteiro Valente
Do modo mais inesperado que se pode imaginar, foi como tomei conhecimento, pelo meio-dia desta primeira terça-feira de Setembro, da morte do major-general, Augusto José Monteiro Valente. Seria para mim, a priori, mais aceitável acertar, de algum modo, no Euromilhões, que imaginar esta terrível realidade. Enfim, deixou a nossa companhia mais um homem bom, militar justo e garboso, culto e estudioso, com uma permanente intervenção de cidadania, e que também alinhou, e desde a primeira hora, com o Movimento das Forças Armadas. Viria, mais tarde, já à beira dos acontecimentos de 25 de Novembro, a aderir ao documento gizado pelos seus nove camaradas militares – Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vítor Alves, Sousa e Castro, Pezarat Correia, Costa Neves, Franco Charais, Vítor Crespo e Canto e Castro –, e que ficou conhecido, por isso mesmo, por Grupo dos Nove.
A força do destino determinou que na última sexta-feira deste Agosto, por um pouco, o não tenha encontrado em Almeida, aí pelas dez da noite, quando vinha com a esposa, Maria Alice, e com uma cunhada sua, por certa rua, acabando por encontrarem o meu filho e netos, tendo nós deixado o lugar menos de cinco minutos antes. Ou seja: estive com o casal, pela última vez, um ano antes, também em Almeida.
E não deixa de ser interessante que duas pessoas com pensamento político original tão distinto – eu e Augusto Monteiro Valente – estivéssemos hoje irmanados por uma desilusão íntima – até revolta – muitíssimo forte perante o rumo que Portugal e o Mundo vêm levando, à luz do triunfo neoliberal que se acabou por nos atingir na peugada do fim do espaço do socialismo real na antiga União Soviética e depois um pouco por todo o Mundo. Triunfo neoliberal que acabou por reduzir quase a cinzas a própria vivência democrática e o seu valor aos olhos dos povos do Mundo.
Aproveito, pois, para prestar a minha homenagem de amigo a Augusto José Monteiro Valente, cujas diversas qualidades sempre todos reconheceram. A perda da sua companhia deixa uma lacuna que, naturalmente, não pode ser substituída pelos familiares e amigos. Mas manteremos todos a sua recordação, a da sua simpatia e da sua cultua, mas, sobretudo, o seu bom exemplo de cidadão e de militar.

Hélio B. Lopes, Dr.