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Recordando a LEI DE GRESHAM
Quando há uns anos Aníbal Cavaco Silva publicou em certo semanário o seu histórico artigo sobre a LEI DE GRESHAM, a cuja luz a má moeda afasta da área económica a boa moeda, desconhecia eu cabalmente tal princípio da Economia, mas não mais me esqueci dele, que assim se veio juntar ao conhecimento adquirido nas duas disciplinas de Economia que faziam parte do plano de estudos do curso de licenciatura em Engenharia Civil. Fora aí meu professor o economista, Armando Nogueira, de quem não mais voltei a ouvir falar, tendo o suporte bibliográfico do curso sido as Lições de Economia, de Francisco Pereira de Moura, e dois volumes de uma obra da mesma coleção, mas sobre História Económica.
Como sempre se considerou por toda a gente mais atenta ao decorrer da nossa vida pública, o histórico artigo de Aníbal Cabaco Silva sobre a LEI DE GRESHAM constituiu, de facto, o suporte da decisão que, poucos dias depois, veio a ser tomada pelo Presidente Jorge Sampaio, e que acabou por levar à auscultação dos portugueses, com o resultado que veio a ver-se.
Hoje, a situação do atual Governo é já muitíssimo mais grave que a do Governo de Pedro Santana Lopes, começando a dar sinais de uma terrível proximidade com o caldo de desprestígio institucional que marcou a era política da Brigada do Reumático. Sempre recordando Salazar, mas com a adaptação que naturalmente se justifica, é hoje possível afirmar, e sem receio de errar, que Pedro Passos e o seu Governo gozam já do raro privilégio do desrespeito geral.
Em si, e num outro cenário, interno ou internacional, o caso não teria grande relevância. Mas acontece, porém, que a ação governativa liderada por Pedro Passos Coelho está a trazer à generalidade dos portugueses o desemprego, a pobreza, a miséria, o medo e, até, a emigração e um suicídio crescente. É uma situação já marcada por um grave risco social, claramente com graves danos para a vida dos portugueses e para a independência e o futuro de Portugal.
Por todas estas razões, por tudo o que tive já a oportunidade de explicar em escritos anteriores, e por não precisar o Presidente Cavaco Silva que lhe seja explicado, ou recordado, um qualquer princípio da Economia, eu venho agora trazer à liça, mais uma vez, o que há anos aprendi pela pena de Aníbal Cavaco Silva: a LEI DE GRESHAM, hoje muitíssimo mais presente na sua materialização face ao que se passava com o Governo de Pedro Santana Lopes.
Os portugueses, inquestionavelmente, nunca deixarão de tributar ao Presidente Cavaco Silva o preito da sua gratidão por este extirpar das suas vidas o tumor que, em pouco mais de um ano, galopou por todo o nosso tecido social, com a pleníssima evidência de não ter parança. Termino, pois, com o reforço do que há dias escrevi: é o momento de voltar a auscultar os portugueses.

Hélio B. Lopes. Dr.