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Um líder tem de ter coragem e voz própria
Quando se chega aos sessenta e cinco anos e se dispôs, pela natureza das coisas, do permanente interesse, até desde muito novinho, pelos acontecimentos públicos, dos internos aos internacionais, tornou-se possível conhecer a ação de grandes políticos que se mostraram, especialmente em momentos complexos, como verdadeiros líderes. E quem diz políticos, diz militares.
Quando se lidera o que quer que seja e se pretende realmente ser líder, há dois ingredientes que são absolutamente essenciais: coragem e voz própria. Coragem, para não fugir perante as dificuldades que possam surgir ao caminho, e que poderão ser muitas e complexas; voz própria, para expor a verdade que venha a estar por detrás das decisões tomadas em cada circunstância, mas com a segurança que só a identificação da voz do verdadeiro líder pode transmitir.
A coragem, de um modo muito geral, só tem importância no âmbito militar, porque se quem está em jogo exerce um cargo civil, essa coragem fica completamente dependente dos conselhos dados por especialistas militares e em segurança. Mas o mesmo se não passa com o exercício da voz própria de um verdadeiro líder.
A voz própria, como se sabe, tem de ser clara, mas deve sempre ser a do verdadeiro líder. Quem pense que o é, ou deseje sê-lo, a todos mostrará que tal hipótese não tem consubstanciação se calhar a usar o seu pensamento e os seus pontos de vista por interpostas pessoas. Para lá de inaceitável num verdadeiro líder, quem assim procede acaba mesmo por suscitar dúvidas as mais diversas por via da sua falta de voz própria. Quem quer ser líder tem de ter coragem e voz própria, muito em especial nos piores momentos.

Hélio B. Lopes. Dr.