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As cláusulas secretas de Barreto
Quando o País inteiro discute a completa violação de quanto foi prometido por Pedro Passos Coelho durante a anterior campanha eleitoral, e quando se pode hoje ver à saciedade o quão pior está Portugal face à situação em que, com os portugueses, se encontrava quando o atual Governo entrou em funções, eis que António Barreto nos surgiu hoje com o magno problema das cláusulas secretas (supostamente) presentes nos contratos das parcerias público-privadas!
O tema é claramente fastidioso e fora do mais ínfimo contexto, porque só existem dois cenários: ou essas cláusulas realmente existem e constituem um ilícito penal, ou não. No primeiro caso, deixam de valer e terão de existir responsáveis, que deverão ser presentes a juízo. No segundo caso, tudo não passará de uma tentativa desesperada de Barreto para encontrar uma explicação para que este Governo não mexa, afinal, nos tais contratos que tanto criticava e sobre os quais ficou assente, no Memorando, a obrigação de uma mudança minimizadora. Um dado é certo: esses contratos referem-se a empresas polvilhadas de gente do PS e do PSD, bem como dançantes.
Já agora, fica a pergunta: está António Barreto em condições de garantir que tal prática já não tem hoje lugar com as privatizações em curso? Tem António Barreto alguma opinião sobre o caso dos submarinos, ou sobre o BCP, ou sobre o BPN, ou sobre o BPP, ou sobre o caso CTT Coimbra? Porque se não tem, bom, o melhor é deixar de por aí andar a agitar supostos ilícitos que ninguém sabe se o foram – sequer se existiram –, e sempre só sobre o anterior Governo. A preocupação patriótica e de probidade de Barreto parece um pouco vesga, porque só surge aplicada à ação governativa de Sócrates. Numa República de políticos com seriedade exemplar, para Barreto, Sócrates surge como ponto isolado… Traz-me Dirac ao pensamento, levando-me a cantarolar uma velha canção: deixa-me rir!...

Hélio B. Lopes. Dr.