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Também não é inacreditável
As recentes declarações de Pedro Pinto e de Jorge Moreira da Silva são, no mínimo, tão inacreditáveis como a de Paulo Portas, a quem ninguém com um mínimo de perspicácia terá dado um ínfimo de credibilidade. Não é preciso ser-se, sequer, muito esperto para perceber toda a incongruência da explicação de Portas e de quanto a antecedeu. Não é, pois, algo de inacreditável.
O que indubitavelmente o é, é continuar com uma coligação de dois partidos, onde sobre certo acontecimento político de gravidade extrema cada líder diz quase o contrário do outro. Ainda assim, e lembrando que tudo isto é muito típico da nossa vida político-partidária, também a manutenção de uma tal incongruente e inútil coligação não é coisa deveras inacreditável. Pois se o fosse, o PS não viria, pela voz do próprio líder, defender a sua continuação à frente do Governo, para mais quando nos diz que tudo o que foi prometido não foi cumprido e que o País está hoje pior que há um ano, o que é a mais evidente verdade!
Há que compreender, olhando a realidade sem receios, para o tal texto, por mim há dias referido, de Luís Alves de Fraga, decidindo se o que no mesmo se contém corresponde ou não à realidade vivida e conhecida. E porque a resposta a esta questão terá de ser positiva, percebe-se que a coligação continue, seja pela mancomunação dos dois partidos, seja pelo apoio do Presidente Cavaco Silva, seja pelo estrondoso silêncio da Igreja Católica Portuguesa, seja – pasme-se! – pelo desejo manifesto do próprio PS e pela voz de António José Seguro!!
No momento que passa, está ainda muita coisa por fazer no seio desta coligação, apoiada, como sempre foi, pelo Presidente Cavaco Silva e pelo silêncio da Igreja Católica. É essencial, para os grandes interesses, continuar a privatização do que não foi ainda privatizado, terminar a destruição do Estado Social, e deixar uma sociedade com tão baixos salários quanto possível, muito mais facilmente controlável do que uma outra onde reine a dignidade humana.
Por fim, lembremos o que Pedro Passos Coelho disse de Sócrates: não voltaria mais a falar com ele, porque não se poderia acreditar no que dizia… Pois se o que Portas contou é inacreditável e não corresponde à realidade – ou corresponde mais ou menos –, o que vai fazer o PSD de Pedro Passos Coelho? Bom, continuar no poder, que era o que não tinha no tempo de Sócrates!
Ficamos agora à espera de poder assistir aos próximos capítulos deste folhetim começado há muito, depois de se ter podido ver o Primeiro-Ministro e líder o do maior partido ser encostado às cordas por um membro do seu Governo, que é o líder do partido mais pequeno da atual coligação já moribunda. Mas ficamos, por igual, com uma certeza: falta coragem política ao PSD de Pedro Passos Coelho e a mesmo a este. Hoje, inquestionavelmente, Pedro Passos Coelho sofreu o maior ataque desde que tomou posse como Primeiro-Ministro: a desautorização frontal de um membro do seu Governo.

Hélio B. Lopes. Dr.