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Sabrosa e Alijó: rendas de ricos num país de pobres...
O Estado, no mínimo, anda há décadas a desperdiçar dinheiros públicos em rendas escandalosas. Conheço alguns casos assustadores. Repartições públicas a pagarem centenas ou milhares de euros por mês em rendas descabidas, enquanto, simultaneamente, os Poderes Central, Regional e Local alienam património ao desbarato, enquanto o Governo corta irreflectidamente nos salários dos trabalhadores. Independentemente dos interesses desconexos, não deixa de ser tão paradoxal quanto inadmissível!
Seguidamente, suportada na crise, prejudica-se a sociedade mais remota e os sucessivos Governos apresentam como solução o encerramento de alguns dos Serviços Públicos, sobretudo nas terras do país profundo, rural, esquecido, chamado de Interior.
Consta que em Alijó, só o Serviço de Finanças custa ao erário público mais de 5000 mil euros por mês em rendas pagas a um privado. Chamaram-me louco, nesse tempo ainda não se falava em crise, mas continuo a defender o que já escrevi há uns anos: não seria mais justo a Autarquia, em parceria com o Governo e o Ministério das Finanças, reconstruir o edifício frontal dos Bombeiros Voluntários de Alijó e centralizar uma série de serviços públicos (incluindo municipais) criando uma espécie de loja de cidadão municipal e assim dividir o custo das rendas em valores comportáveis de forma a reverterem a favor dos próprios Bombeiros? Seria serviço público a sustentar a necessidade social numa simbiose perfeita de rentabilidade da economia local! Também ouvi dizer que as lojas disfarçadas de renovação do Mercado Municipal de Alijó são uma das hipóteses. Não conheço outras, esta não me atrai muito pela localização (para mim seria sempre no centro da vila, perto da Conservatória, da Segurança Social, da Câmara, da Igreja, do comércio tradicional), não seria mau de todo, mas, a ser verdade, é sempre bom saber que uma proposta de alteração para um local mais económico ou uma renegociação e/ou extinção do valor da renda podem colaborar a vencer a ideia vincada de um trágico encerramento! A ver vamos…
Outro exemplo? Haverá centenas por esse país fora, mas Sabrosa toca-me em particular. Na terra de Fernão Magalhães e Miguel Torga consta igualmente que o valor mensal da renda do Serviço de Finanças rondará os 3000 €, só que aqui, reverte na totalidade a favor da própria Autarquia por ser o senhorio! Entre o deve e o haver da receita, admito que resulte um mal menor, mas, para desarmar o Governo da tentação de encerrar este Serviço vital para o concelho - que como tudo indica virá a acontecer -, parece-me que seria imperativo que o executivo camarário se antecipasse a despejar esta cega posição governamental e apresentasse uma proposta concreta ao Governo a abdicar da totalidade da renda! Seria pioneiro na luta contra o despesismo e modelar na defesa do cumprimento das medidas de contenção beneficiando a sociedade e a população do concelho de Sabrosa. Entre deixar de receber a renda e perder os Serviços definitivamente não hesitaria em escolher a primeira, estou certo que todos partilham desta minha opinião. Tenho dificuldade a entender porque não terá ainda acontecido, até por que, perder os Serviços implicará perder aquela renda.
Duvido se este Governo conseguirá executar todos os cortes a que se propõe, não só pela falta de tempo, mas também pela privação de discernimento inerente ao sucesso do efeito da aplicabilidade de algumas políticas experimentalistas, mas se eu estivesse no lugar dos decisores políticos locais jamais arriscaria em guardar os trunfos para quando o Governo se lembrar de esquecer o povo!
Aguardemos com serenidade, mas só com a necessária.

Jorge Carvalho, Dr.