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Quem são hoje os milionários deste País
O artigo que o senhor Manuel Igreja escreveu na edição de 6 de Setembro do Arrais, subordinado ao título «Pobres até nos ricos», deu-me o mote para o artigo que a seguir vou escrever.
O seu artigo, começa aludindo a «um punhado de milionários norte-americanos que pediram para que lhes fossem cobrados mais impostos, a fim de assim contribuírem mais para resolver a crise, que nos EUA como cá, apoquenta miúdos e graúdos». Embora usando outros termos, que no fim vão dar ao mesmo, eu também já tinha lido a notícia.
Quando, a linhas tantas o senhor diz, «Quem me dera que em Portugal houvesse ricos assim……», poderíamos depreender que os ricos em Portugal vivem num mundo diferente, se estão nas tintas para os problemas dos pobres e jamais alguém desse mundo diferente teria tal gesto, como se uns não precisassem dos outros. Não se esqueça, amigo, dum velho ditado, que reza assim: «O teu pior inimigo é o oficial do teu ofício!» Ou seja, em muitos casos, os maiores inimigos dos pobres, são os próprios pobres! Creio que o Igreja sabe-o, tão bem como eu!
O artigo que vou escrever, tem alguma sequência ao artigo que escrevi na edição anterior. No semanário "Tal & Qual de 05 de Março de 1999, em letras garrafais, como soe dizer-se, podemos ler: «Funcionários Públicos passeiam com os popós à conta….»«QUE GRANDE REGABOFE»
«A Direcção Geral do Desenvolvimento Rural, do Ministério da Agricultura, tem uma frota de 60 viaturas para usar apenas em serviço. «O T&Q foi espreitar e viu que… é fartar vilanagem»
Num dos vários excertos deste artigo, pode ler-se: «A DGDR, é um organismo do Ministério da Agricultura, situado na Avenida Defensores de Chaves, em Lisboa. Tem mais de 200 funcionários e uma frota de 60 viaturas da marca Renault destinados aos serviços gerais. Mas o T&Q descobriu que metade desses carros, os mais recentes, é usada pelos funcionários para serviço… particular….»O artigo é muito extenso e Seria fastidioso descrevê-lo na totalidade.
Mas, ainda segundo o que o T&Q descobriu, «a dimensão da frota automóvel do Ministério da Agricultura com mais de 3200 carros, é o que o ministro aponta como «um facto propício a eventuais usos abusivos das viaturas afectas aos vários departamentos». No entanto, o senhor ministro, terá afirmado a pés juntos, «Vou actuar»!
No mesmo semanário do dia 25 de Maio de 2001, vem um artigo, cujo preâmbulo reza assim: «Capoulas Santos diz que mora em Montemor-o-Novo e, por isso, empocha todos os meses 235 contos (235.000$00). Mas o T&Q descobriu que o ministro da Agricultura está alojado em Lisboa , num andar de propriedade da filha….». Um caso, idênticos muitos outros!
Temos aqui a parábola de Jesus Cristo, para com aqueles que queriam apedrejar Maria Madalena: «Quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra»! Terá o MA actuado?
Esta é uma pequena, das grandes razões que conduziram o País à beira do precipício que alguns tentam precipitar, para que depois de esborrachado, possam dividir os despojos.
Já se ouvem as trombetas da oposição a cantar o hino dum eventual e forçado adeus do Governo, o que seria mais uma oportunidade para nova campanha eleitoral, e mais um bolo pago por nós a dividir pelos pregadores!
Francamente, não tenho categoria para afirmar se as medidas ultimamente anunciadas pelo ministro das Finanças são correctas, erradas ou imprescindíveis!
Todavia, que nos parecem absurdas e exageradas, não há dúvida, pois não compreendemos como é que o Governo quer sair da crise sacrificando o povo, em vez de sacrificar, ou mesmo eliminar, os ninhos de parasitas, que continuam a comer a riqueza dos que ainda produzem alguma coisa.
Também se ouvem outros, a apelarem a um novo 25 de Abril. Mais outro? É que o 25 de Abril de 1974, já era o segundo, depois do 25 de Abril de 1828, a seguir à Abrilada do dia 30 de Abril de 1824. Está visto que com abriladas e mais abriladas não se resolvem problemas; Portugal só endireitou com Salazar, e voltou a entortar com a Abrilada de 1974.
Porque é que se não reduz o número de deputados até onde o permite a Constituição. E porque é que os palradores não aceitam a redução, se muitos deles fazem tanta falta na AR, como um tocador de viola num enterro.
Porque é que os reformados hão-de ser penalizados quando é que mais precisam, com excepção daqueles que se reformaram com 8 e 12 anos de serviço, durante os quais muito gastaram e nada produziram?
Porque é que os administradores da RTP, sabendo que o País está em crise ainda têm o descaramento de exigir uma excepção ao seu teto salarial? Porque é que os apresentadores de televisão, trazendo à cena programas, que aparentemente só têm interesse para exibição. promoção e divertimenoto próprios , hão-de ganhar mais, senão mesmo o dobro ou o triplo do que ganha o PM?
Porque é que se gastam milhões em eleições, se elas são do interesse dos concorrentes? Porque é que somos obrigados a pagar o palram pega e papagaio e cacareja a galinha que já estamos fartos de ouvir?
E não tenhamos ilusões. Estou de acordo com o que disse há dias, embora por outras palavras, o Dr. Medina Carreira: «Enquanto o PM não limpar Portugal do parasitismo instalado, nenhum Governo conseguirá levar o País a lado algum!
Medina Carreira diz ainda: «Ou o primeiro ministro faz o que tem de fazer, ( a limpeza ) ou, se para tanto não tem coragem, então que se vá embora».
E agora, depois das perguntas que fiz e de muitas outras que poderia fazer e como estas ficariam sem resposta, para terminar, dirijo-lhe a si, amigo Manuel Igreja, uma pergunta, à qual certamente também não saberá responder: quais os milionários deste País, muitos dos quais, quantas vezes trabalhando 24 horas por dia, estariam dispostos a sacrificar-se para sustentar tão inúteis e refinadas camarilhas?
E, já agora, permito-me dirigir uma pergunta ao povo português: quem são hoje os milionários deste País?

José O. Guerra