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Amigo pessoal e colaborador de longa data do Notícias do Douro

Morreu o escritor e poeta António Cabral

 

António Joaquim Magalhães Cabral, era assim que dizia chamar-se, faleceu no transacto dia 23 do corrente mês, quando contava 76 anos de idade

 

António Cabral, como era conhecido, nasceu em Castedo do Douro (Alijó), em 30/04/1931. Ingressou no Seminário de Vila Real, em Outubro de 1942 e foi o padre n.° 116 a ser ordenado de entre os alunos formados no Seminário de Santa Clara.

Foi Professor desde logo no próprio Seminário e muito cedo (1951), ainda aluno, publicou “Sonhos do Meu Anjo” . Mais tarde, abandonou o Sacerdócio e formou-se em Filosofia pela Universidade do Porto.

Entre 1974/76 foi Delegado Regional do FAOJ.

Fundou o Centro Cultural Regional de Vila Real, em 1979, sendo Presidente da Direcção durante doze anos. Foi Bolseiro pelo Ministério da Educação para a Investigação de Jogos Populares e Teoria do Jogo (1988/1991).

António Cabral foi Presidente da Direcção da ANASC (Associação Nacional de Amadores Socioculturais) e Delegado do INATEL (Vila Real) e foi o principal organizador dos Jogos Populares Transmontanos e Luso Galaicos.

Participou em inúmeras palestras no país e no estrangeiro sobre jogos e a pedagogia do Jogo.

Participou na fundação das revistas Sententrião (1962), Tellus (de que foi director (1978) e mensário Nordeste Cultural (1980).

Promoveu quatro encontros de escritores e jornalistas de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Colaborou em diferentes órgãos de comunicação social, participou em colectâneas escolares, obras colectivas e antologias de poesia. Tem poemas cantados por Correia de Oliveira, Manuel Freire e Francisco Fanhais.

Prefaciou livros, como: Cantar de Novo (de José Afonso) e Ser Torga (de Pernão de Magalhães Gonçalves). Assinou, como autor, os seguintes livros: Poesia: Sonhos do Meu Anjo Vila Real, 1951; O Mar e as Águias Porto, 1956; Falo vos da Montanha Vila Real, 1958; A Flor e as Palavras Lisboa, 1960 (1.° Prémio de manuscritos do SNI); Poemas Durienses Vila Real, 1963; Os Homens Cantam a Nordeste Tomar, 1967; Quando o Silêncio Reverdece Porto, 1971; Emigração Clandestina Coimbra, 1977; Aqui, Douro Lisboa, 1979; Entre o Azul e a Circunstância Vila Real, 1983; Novos Poemas Durienses – Vila Real, 1993; Bodas Selvagens Porto, 1997. Ficção: Festa em Setembro Vila Real, 1983 (contos); Memória Delta Lisboa, 1990 (romance); A Noiva de Caná Lisboa, 1995 (romance). A publicar: A Mulher e a Cobra (contos). Teatro: O Herói (2.° Prémio da Academia Teresopolitana de Letras, 11 Festival Brasileiro de Literatura, 1964); Temos Tempo Matilde Vila Real, 1976; A Linha e o Nó Coimbra, 1977; Sete Peças e Um Acto Coimbra, 1977; Semires Vila Real, 1994. Ensaio: História da Literatura Portuguesa Época Medieval Porto, 1965; Morfologia Literária Porto, 1971; Miguel Torga, o Orféu Rebelde Vila Real, 1977; Os Jogos Populares e o Ensino Vila Real, 1981; Cancioneiro Popular Duriense Lisboa, 1983; Jogos Populares Portugueses Porto, 1986; Jogos Populares Onze Anos de História Vila Real, 1977 1988; Teoria do Jogo Lisboa, 1990; Jogos Populares Infantis Lisboa, 1991; Jogos Populares e Provérbios da Vinha e do Vinho Régua, 1991; Jogos Populares Portugueses de Jovens e Adultos Lisboa, 1991; A Imitação e a Competição no Jogo Infantil Santarém, 1992; Modelo Lírico de Ensino Aprendizagem Santarém, 1995. A publicar: Tradições Populares, o Fenómeno Lúdico.

No domínio das letras e das artes deixou uma vastíssima obra.

À sua pessoa e à sua memória, a nossa vénia. Que a sua alma descanse em paz!